A construção de grandes obras de infraestrutura em ambientes operacionais complexos, como aeroportos, é um desafio de engenharia e finanças. O Aeroporto Internacional de Los Angeles (LAX), um dos mais movimentados do mundo, parece ter encontrado uma solução elegante e econômica para essa equação com seu novo terminal, o Midfield Satellite Concourse South.

Em vez de construir no local, em meio ao tráfego incessante de aeronaves, o projeto adotou uma abordagem de "construção e realocação externa". Segundo reportagem da Fast Company, o novo saguão de 14 mil metros quadrados e oito portões foi fabricado em segmentos a quase três quilômetros de distância e depois transportado para sua posição final. O resultado: uma economia de US$ 30 milhões e seis meses de antecipação no cronograma.

A logística como vetor de inovação

A principal disrupção do projeto não foi estética, mas logística. Ao estabelecer o canteiro de obras fora da área segura do aeroporto, a administração do LAX contornou uma série de gargalos. Trabalhadores não precisavam passar pelos rigorosos postos de controle da TSA (a agência de segurança de transportes dos EUA) diariamente, e as exigências de seguro, tipicamente altíssimas para operar em um campo de aviação ativo, foram drasticamente reduzidas.

Essa mudança abriu o mercado para construtoras menores e locais, que normalmente seriam excluídas de licitações dessa magnitude. O resultado foi que mais de 30% da mão de obra veio de empresas da região, um percentual notavelmente alto para projetos aeroportuários. A inovação no método construtivo gerou, portanto, um efeito cascata positivo na economia local.

Design orientado pela montagem

Projetado pela firma de arquitetura Woods Bagot, o design do terminal foi diretamente influenciado por sua natureza modular. O peso de cada um dos oito segmentos teve que ser meticulosamente controlado para a viagem de transporte. Segundo os arquitetos, essa restrição forçou uma abordagem mais criteriosa sobre cada material e componente, resultando em um projeto mais eficiente.

Além da eficiência, o terminal foi concebido com a flexibilidade em mente. A estrutura possui juntas sísmicas desmontáveis e uma infraestrutura de utilidades coordenada que permite que o saguão seja desmontado e realocado no futuro, caso o layout do aeroporto precise mudar. Essa visão de "arquitetura transportável" desafia a noção de que grandes edifícios são permanentes e imutáveis.

A aposta do LAX não foi apenas em um método construtivo, mas em uma nova filosofia para o ciclo de vida da infraestrutura. Ao tratar um terminal como um ativo móvel e adaptável, o projeto sugere que o futuro das grandes construções pode ser menos sobre permanência e mais sobre inteligência e flexibilidade.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company