O bilionário Leon Black, cofundador da gestora de private equity Apollo Global Management, escalou seu confronto com o poder público americano. Em vez de comparecer a um depoimento sob juramento, Black processou o Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados, pedindo a um tribunal federal que anule as intimações ligadas à investigação sobre seus laços com o financista Jeffrey Epstein.
A disputa se intensificou após uma entrevista voluntária em junho, na qual parlamentares afirmam que Black se recusou a responder perguntas sobre acordos de confidencialidade. A reação do comitê foi emitir duas intimações: uma exigindo documentos e outra para um depoimento formal. Para a defesa de Black, trata-se de uma “pescaria probatória” para “destruir o Sr. Black”. Para o Congresso, é um ato de obstrução que pode levar a uma acusação de desacato.
O legado tóxico
No centro da investigação estão pagamentos de mais de US$ 150 milhões feitos por Black a Epstein. Uma auditoria encomendada pela própria Apollo em 2021 revelou que US$ 158 milhões foram transferidos entre 2012 e 2017 — anos depois de Epstein ter se declarado culpado, em 2008, por solicitar prostituição de uma menor. Black, que deixou o cargo de CEO da Apollo em 2021 devido ao escândalo, sempre sustentou que os pagamentos eram por serviços legítimos de planejamento tributário e sucessório.
A insistência do Congresso em revisitar o caso demonstra como a sombra de Epstein continua a pairar sobre a elite financeira e política americana. A investigação do comitê já convocou figuras como o ex-presidente Bill Clinton e o cofundador da Microsoft, Bill Gates, expondo a teia de influência que Epstein cultivou. O caso de Black é um dos mais emblemáticos pela magnitude dos valores e pela longevidade da relação profissional.
Um confronto de poderes
A ação judicial de Black argumenta que as intimações do comitê excedem sua autoridade, buscando informações privadas sem um propósito legislativo legítimo. É uma manobra que transforma uma investigação política em uma batalha legal sobre os limites do poder de fiscalização do Congresso sobre cidadãos privados, ainda que proeminentes.
A resposta do comitê foi dura e bipartidária. O presidente do colegiado, o republicano James Comer, classificou a ação como “inaceitável”, enquanto o democrata Robert Garcia a chamou de “risível”. Ambos sinalizaram o início do processo para declarar Black em desacato ao Congresso, o que abriria caminho para que o Departamento de Justiça avalie uma acusação criminal.
A decisão de Black de judicializar a disputa eleva as apostas. Em vez de uma crise de reputação contida, ele agora enfrenta uma possível batalha criminal, ao mesmo tempo que força uma discussão jurídica sobre os poderes do Estado. O resultado não apenas definirá seu futuro, mas pode criar um precedente sobre como o poder público pode responsabilizar as figuras mais ricas e influentes do país.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





