O LinkedIn tem um problema com o que o mercado convencionou chamar de “AI slop” — conteúdo de baixa qualidade, gerado em massa por inteligência artificial. Agora, a empresa tem um botão para combatê-lo. A nova funcionalidade, lançada no fim de julho, permite que usuários sinalizem publicações que se encaixam nessa categoria, ajudando a plataforma a “ajustar nossos modelos e criar feeds melhores”, nas palavras de Hari Srinivasan, CPO da companhia.

A iniciativa não é um capricho. Um estudo recente do serviço de detecção Pangram, citado pela Fast Company, apontou que, de todo o conteúdo sinalizado como gerado por IA em grandes plataformas nos últimos meses, dois terços vieram do LinkedIn. O movimento da rede profissional é um sintoma de um desafio que se espalha por toda a web: como devolver o pensamento humano original à superfície em meio a um oceano de automação, um cenário que evoca a “teoria da internet morta”.

O design como arma

A estratégia do LinkedIn é usar IA contra IA, alimentando seus próprios modelos de detecção com as denúncias dos usuários. Outras plataformas trilham caminhos semelhantes. O Pinterest permite desativar recomendações de IA por categoria, enquanto o TikTok testa um controle deslizante para dosar a concentração de conteúdo do tipo no feed. A questão central é a mesma para todos: distinguir o que é reflexão original do que é mera regurgitação de informações existentes.

Aqui, o design da experiência do usuário (UX) se torna uma ferramenta estratégica. Segundo Audrey Davis, diretora de design de produto do LinkedIn, a escolha de um ícone de alerta (um losango com exclamação) em vez da tradicional bandeira de denúncia é proposital. A intenção não é punir o usuário individual, mas coletar dados em larga escala para uma abordagem mais ampla de moderação. É um convite para que o usuário ajude a treinar o algoritmo, não para que atue como um fiscal.

Ao entregar parte do poder de moderação aos usuários, plataformas como o LinkedIn admitem, nas entrelinhas, que seus sistemas automatizados não dão conta do recado sozinhos. A proliferação do “AI slop” ameaça a proposta de valor fundamental dessas redes: a conexão humana e a troca de ideias relevantes. Essas novas ferramentas de UX são, portanto, mais do que simples botões; são uma rara janela para a batalha que define o futuro dos nossos feeds.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company