A busca por uma estética visualmente atraente no universo do software livre tem levado ao surgimento de diversos projetos que replicam o design do macOS. A maioria é baseada em Linux — casos como Lord OS, Cutefish e Desert OS —, mas também há experimentos fora do ecossistema, como o ClokeOS, citado como construído sobre o kernel XNU (a base de código aberto do macOS).
No lado Linux, projetos recentemente revividos ou lançados apostam em docks, barras superiores translúcidas, esquemas de ícones e temas que remetem diretamente ao macOS. O Cutefish, por exemplo, voltou à ativa após um hiato com foco em uma experiência mac-like mais coesa. O Desert OS, em sua versão 5.5, e o próprio Lord OS ilustram a diversidade e a ambição do momento — com builds para x86-64 e Arm64, incluindo edições para Raspberry Pi, tornando a experimentação mais acessível.
Há ainda iniciativas que miram compatibilidade ampla de aplicativos por meio de camadas conhecidas no open source, como Darling (para apps de macOS) e Wine (para apps de Windows). Em paralelo, o ClokeOS aparece como um esforço mais ousado ao partir do XNU. São caminhos diferentes com a mesma intenção: entregar a aparência e parte da ergonomia que popularizaram o Mac, usando peças de código aberto.
Não se trata de um fenômeno novo. O PearOS Linux, anos atrás, já havia sido noticiado pela interface semelhante à do Mac. Temas e spins como Cupertino, Small Sur, Ventura-Xfce e até o osXFCE, desenvolvido há quase uma década, mostram que o desejo de familiaridade visual com o macOS é recorrente entre usuários de Linux. A diferença agora é a cadência: em 2025 um projeto com essa proposta foi relançado; em outubro, surgiram dois novos; e em novembro, mais quatro foram identificados, sinalizando um ritmo acelerado de aparecimento.
Dois vetores ajudam a explicar a curva: a facilidade de geração e ajuste de código proporcionada por ferramentas de IA — que reduzem o esforço para polir interfaces — e o avanço do fim do ciclo de vida de Macs baseados em Intel (vendidos entre 2006 e 2020). Para donos de máquinas mais antigas, sistemas de código aberto podem estender a utilidade do hardware ao mesmo tempo em que oferecem uma aparência próxima à do macOS.
A análise prática também revela limites. No caso do Lord OS, por exemplo, apesar da aparência convincente, surgem tropeços de usabilidade, como ausência de alguns atalhos de teclado padrão e duplicação de opções de menu. Por outro lado, a cadência de desenvolvimento — com nove releases de teste em três semanas — sugere iteração rápida e correções frequentes.
A tendência é clara: com IA abaixando a barreira de entrada para designers e desenvolvedores, veremos mais projetos mac-like — de distros completas a temas e ambientes gráficos — oferecendo alternativas visualmente atraentes a um público maior. O desafio agora é ir além da imitação e solidificar uma experiência robusta e confiável, sem abrir mão do apelo estético que tornou o Mac um referencial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





