Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Brisbane, em 2032, já exibem sua identidade visual, um emblema que busca ir além da mera representação gráfica para contar uma história. O design, que emergiu após um vazamento acidental em um vídeo explicativo publicado no YouTube pelos próprios organizadores, traz consigo uma série de significados sutis, integrando elementos culturais australianos e detalhes específicos da competição.
Um Símbolo com Raízes Locais
A escolha da cacatua como figura central não é aleatória. Esta ave, nativa da região de Queensland, foi selecionada por seu espírito "atrevido e brincalhão", características que os organizadores associam à identidade australiana. Além disso, a cacatua possui relevância para as Primeiras Nações, os povos originários da Austrália, adicionando uma camada de profundidade cultural ao design. O emblema em si é concebido para se assemelhar à crista de uma cacatua, com suas cinco penas agrupadas de forma a sugerir os números "32", aludindo ao ano dos Jogos.
Design Multifacetado e Cores Vibrantes
O emblema se apresenta em duas variações de cor. Uma versão em tons de rosa com detalhes em laranja representa a cacatua rosada, associada aos Jogos Olímpicos. A outra, em degradê de amarelo a rosa, alude à cacatua-de-crista-amarela, ligada aos Jogos Paralímpicos. Essa paleta vibrante segue uma tendência recente em identidades olímpicas, como a de Los Angeles 2028, que também apostou em cores vivas inspiradas na flora e fauna californiana. A forma do emblema ainda se encaixa perfeitamente no contorno do mapa de Queensland, estado onde Brisbane está localizada, reforçando a conexão geográfica.
Desafios do Design de Longo Prazo
O lançamento de identidades visuais para Jogos Olímpicos ocorre com anos de antecedência, apresentando um desafio peculiar para os designers. A necessidade de criar um símbolo que permaneça relevante e esteticamente agradável por quase uma década exige um equilíbrio entre o moderno e o atemporal. O design de Brisbane, com suas múltiplas camadas de significado, busca justamente conferir essa longevidade, oferecendo uma narrativa rica para fãs e residentes.
O Significado por Trás da Arte
Andrew Liveris, presidente do comitê organizador de Brisbane 2032, destacou que os emblemas olímpicos são uma "oportunidade de promover o caráter único" de cada edição. No caso de Brisbane, a intenção foi "tecer sutilmente múltiplos elementos", resultando em um design que, segundo Arisa Trew, medalhista de ouro no skate, "tem mensagens ocultas" que encantam o público. A identidade foi desenvolvida por um consórcio que inclui as agências VML e Landor, a consultoria Kantar Public e a BlackCard, especializada em questões das Primeiras Nações.
O desdobramento da identidade visual, incluindo a revelação de mascotes, ainda está por vir. Contudo, o emblema já estabelece um tom para os Jogos de 2032, prometendo uma celebração que une esporte, cultura e design de forma intrinsecamente australiana.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fast Company





