A notícia de que a Los Tacos No. 1, uma rede de tacos de Nova York com uma base de fãs fervorosa, havia recebido um investimento da firma de private equity TSG Consumer, desencadeou uma onda de indignação nas redes sociais. Clientes fiéis expressaram receio de que a qualidade e o sabor autêntico dos amados tacos de estilo Tijuana pudessem ser comprometidos pela busca por escala e lucro. O CEO e cofundador Christian Pineda, pego de surpresa pela intensidade da reação, sentiu a necessidade de intervir diretamente para acalmar os ânimos. Ele publicou uma mensagem honesta e bem-humorada no Instagram, garantindo que não haveria mudanças drásticas, como o aumento de preços no guacamole, a troca de ingredientes ou a alteração da receita dos tacos. A intenção, segundo Pineda, era não apenas responder às preocupações, mas também usar a oportunidade para provar que o private equity pode coexistir com a preservação da identidade de uma marca.
O Fundamento da Revolta e a Promessa de Estabilidade
A reação negativa nas redes sociais, embora não unânime, expôs o quão profundamente a Los Tacos No. 1 se tornou uma instituição em Nova York. Para a TSG Consumer, que também investiu em marcas como Crumbl e Dutch Bros Coffee, esse "culto à clientela" protetora é justamente o que atrai. Colin Welch, diretor-gerente da TSG, reconheceu a responsabilidade da firma em demonstrar aos céticos que a experiência do cliente permanecerá inalterada, e que nenhuma mudança será para pior. A TSG planeja oferecer orientação estratégica para a expansão, mas com a gestão do dia a dia nas mãos de Pineda e sua equipe. Exemplos anteriores, como o crescimento da cadeia Pura Vida Miami de duas para sete unidades após o investimento da TSG, indicam um modelo de crescimento cuidadoso, embora os detalhes financeiros da transação com a Los Tacos No. 1 permaneçam confidenciais.
A Busca por Autenticidade em Meio à Expansão
A Los Tacos No. 1, fundada em 2013 por três arquitetos com paixão por tacos autênticos, cresceu a partir de uma busca pessoal por um sabor que remetesse à infância em ambos os lados da fronteira EUA-México. Pineda, criado entre San Diego e Tijuana, e seus cofundadores, com raízes na Califórnia, trouxeram para Nova York a experiência do "No ticket, No taco", um modelo de pedido que incentiva a interação direta com os "taqueros" e a observação do preparo em tempo real. Essa abordagem, combinada com uma atmosfera vibrante, busca recriar uma experiência autêntica que a firma de private equity agora vê potencial para replicar em maior escala. A expansão planejada para outros bairros de Nova York e mercados futuros, com novas unidades previstas para Brooklyn e 2027, sinaliza a ambição de crescimento.
Desafios de Escala e Custos Operacionais em Nova York
Operar em Nova York apresenta desafios inerentes, especialmente com o aumento do custo de vida e dos insumos. A Los Tacos No. 1, que serve cerca de 1.200 clientes por dia com um ticket médio de US$ 20, tem visto um aumento significativo nos custos de ingredientes como carne, limões, abacates e tomates. Pineda mencionou que os preços da carne, em particular, tiveram um aumento considerável em 2026, com projeções de novas altas. Para manter a promessa de oferecer "o melhor taco e o taco mais barato", a empresa tem focado em otimizar outras despesas operacionais e evitar cortes na qualidade. O preço de um taco de carne asada, que começou em US$ 3,50 em 2013, agora custa US$ 5,95, um aumento que a empresa considera um reflexo do orgulho em manter a qualidade diante da inflação.
O Futuro: Expansão Cautelosa e Potencial IPO
A parceria com a TSG Consumer é vista por Pineda como um passo crucial para alcançar uma escala ainda maior, possivelmente culminando em uma oferta pública inicial (IPO) no futuro. A experiência da TSG em ajudar marcas a atingir centenas ou milhares de unidades é vista como um diferencial valioso. No entanto, a jornada para a expansão será marcada por cautela e pela prioridade inabalável na qualidade que conquistou a lealdade dos clientes. A Los Tacos No. 1 terá que navegar a delicada linha entre o crescimento e a preservação de sua identidade, provando que o investimento externo pode ser um catalisador para o sucesso sem diluir a essência que a tornou uma "instituição nova-iorquina".
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Business Insider





