O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, um pacote que mobiliza até R$ 7 bilhões em instrumentos de incentivo para o setor. A iniciativa prevê R$ 5 bilhões em créditos fiscais e um fundo garantidor de R$ 2 bilhões para projetos de beneficiamento e transformação.

A leitura do movimento é inequívoca: trata-se de uma tentativa de reposicionar o Brasil na cadeia de valor global. Em vez de mero exportador de matéria-prima, o país busca se tornar um polo de processamento industrial de recursos essenciais para a transição energética, como lítio, grafite e níquel. A reportagem original é da InfoMoney.

O jogo da verticalização

A nova política ataca um ponto nevrálgico da economia brasileira: a dependência da exportação de commodities com baixo valor agregado. Enquanto o Brasil detém reservas geológicas importantes, a etapa de refino e processamento — onde se concentra a maior parte do valor — é hoje dominada pela China. A sanção da lei é uma resposta direta a essa assimetria geopolítica e econômica.

Os mecanismos criados são desenhados para mitigar riscos e atrair capital privado para a industrialização. Os créditos fiscais miram especificamente as etapas de beneficiamento, não a extração. O fundo garantidor, por sua vez, visa facilitar o acesso a financiamento para projetos de alto custo e maturação longa. A criação de um Conselho Nacional ligado à Presidência sinaliza que o tema ganhou status de prioridade estratégica para o governo.

O desafio da execução

No papel, a estratégia é coerente com movimentos semelhantes de outras potências. Estados Unidos e União Europeia também correm para diversificar suas fontes de minerais processados e reduzir a dependência chinesa. O Brasil entra nessa disputa com a vantagem geológica, mas a ambição de verticalizar a cadeia enfrenta obstáculos significativos que vão além do capital.

A construção de um ecossistema industrial competitivo exige tecnologia de ponta, mão de obra qualificada e, crucialmente, um ambiente regulatório estável que justifique investimentos de longo prazo. O montante de R$ 7 bilhões é um ponto de partida, mas a escala do desafio para competir com players estabelecidos demandará um esforço contínuo e coordenado entre setor público e iniciativa privada.

O plano está traçado e a intenção, declarada. A questão que se impõe é sobre a capacidade de execução. Transformar rochas em componentes para baterias e turbinas eólicas é um balé industrial complexo. O mercado agora observa se o Brasil conseguirá, de fato, usar seus recursos naturais para subir degraus na cadeia de valor ou se permanecerá na base da pirâmide.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney