O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou, após encontro no Palácio do Planalto, o apoio oficial do Brasil à candidatura da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, ao cargo de Secretária-Geral da Organização das Nações Unidas. Segundo reportagem do InfoMoney, Lula destacou nas redes sociais que a experiência de Bachelet como chefe de Estado e seu histórico no sistema da ONU a credenciam para liderar a entidade.

Para o governo brasileiro, a ONU precisa de uma renovação estrutural para enfrentar os desafios contemporâneos de paz, segurança e desenvolvimento sustentável — agenda com a qual Bachelet, na avaliação do Planalto, teria fortes afinidades.

O peso político da trajetória de Bachelet

A candidatura de Michelle Bachelet vai além de um cálculo estritamente regional. A ex-presidente chilena teve dois mandatos no comando do país e ocupou ministérios estratégicos, como Defesa e Saúde. No plano internacional, foi a primeira diretora-executiva da ONU Mulheres, contribuindo para institucionalizar a agenda de igualdade de gênero dentro da organização — um ativo que, para Brasília, soma representatividade e experiência de gestão multilateral.

A dinâmica da sucessão na ONU

O processo de escolha do próximo Secretário-Geral deve ocorrer ao longo de 2026, em meio a pressões por mudanças na governança global. Embora não exista uma regra formal de rotatividade regional, há quem defenda que a América Latina ganhe protagonismo nesta rodada, o que tornaria o terreno potencialmente favorável a Bachelet.

Em paralelo, a imprensa internacional tem ventilado outros nomes com perfil competitivo. Entre eles aparecem, em diferentes especulações, figuras como Rafael Grossi (Argentina), Rebeca Grynspan (Costa Rica) e Macky Sall (Senegal). A confirmação de candidaturas e a construção de apoios, no entanto, dependem das negociações diplomáticas ao longo do ano.

Implicações para o cenário latino-americano

O endosso brasileiro busca sinalizar coesão regional e evitar dispersão de apoios na América Latina — um problema recorrente em disputas multilaterais. Para os demais países da região, o posicionamento de Brasília indica a intenção de exercer liderança ativa na escolha da próxima chefia da ONU e de enquadrar o debate em torno de uma reforma do multilateralismo.

Para stakeholders globais, especialmente os membros permanentes do Conselho de Segurança, Bachelet combina experiência política com uma agenda alinhada a objetivos de desenvolvimento. O desafio maior, porém, está na capacidade de qualquer futuro Secretário-Geral conduzir mudanças numa estrutura institucional complexa e historicamente resistente a reformas profundas.

Desafios e incertezas do processo

A disputa deverá se definir nos bastidores, com ênfase na formação de alianças além da América Latina. A viabilidade da candidatura de Bachelet dependerá da articulação de apoios no Conselho de Segurança e, posteriormente, da nomeação pela Assembleia Geral — etapas em que o engajamento do Itamaraty e de parceiros regionais tende a ser decisivo.

O desfecho da corrida indicará não apenas o prestígio internacional de Bachelet, mas também a capacidade do Brasil de influenciar a reorganização das instituições multilaterais num período de crescente instabilidade global. A evolução das candidaturas ao longo de 2026 será o termômetro dessas alianças.

Com reportagem de InfoMoney

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