Emmanuel Macron, presidente da França, lançou um alerta contundente sobre a crescente dependência da Europa em relação à China, um problema que ele atribui diretamente à desindustrialização do continente. Durante a inauguração do Fórum de Comércio e Investimentos Espanha – França em Madrid, Macron revelou que o déficit comercial da União Europeia com o gigante asiático já atinge a impressionante marca de 1 bilhão de euros por dia.
O mandatário francês lamentou que a compreensão sobre o fenômeno chinês tenha demorado a se consolidar na Europa. Segundo ele, após a pandemia de Covid-19, a China realizou investimentos massivos em sua capacidade produtiva, a ponto de invadir o mercado europeu em setores que antes eram considerados pontos fortes da indústria local. Macron acusou a China de praticar 'dumping' de forma generalizada, subsidiando suas empresas em níveis oito vezes superiores à média da OCDE e inundando os mercados com produtos a preços artificialmente baixos, com o objetivo de eliminar a concorrência e dominar setores inteiros.
Desindustrialização e Concorrência Desleal
Macron relembrou décadas em que a Europa via a China primariamente como um mercado a ser explorado e um parceiro comercial essencial. Essa visão, segundo ele, obscureceu a realidade de um avanço chinês mais rápido e eficiente em termos de investimento e produção. A consequência direta é a erosão da base industrial europeia, que se tornou mais vulnerável à concorrência agressiva. O presidente francês defendeu as medidas de proteção adotadas por alguns países europeus contra veículos elétricos chineses, classificando-as como ações necessárias para salvar setores estratégicos.
Tríplice Desafio Europeu
O líder francês contextualizou a relação com a China como um dos três grandes desafios enfrentados pela Europa. Além da dependência comercial e industrial da China, Macron apontou a dependência tecnológica em relação aos Estados Unidos e os problemas inerentes ao modelo energético europeu como outros pontos críticos. Essa combinação de fatores, segundo ele, exige uma reavaliação profunda das estratégias econômicas e industriais do bloco, visando a recuperação da autonomia e da competitividade.
Apelo por União e Mercado Único
Diante desse cenário, Macron clamou por uma reação coordenada e unificada da União Europeia. Ele enfatizou a necessidade de restaurar o alinhamento entre os Estados-membros para responder de forma eficaz à concorrência chinesa e reverter a perda de capacidade industrial. Um dos pilares dessa estratégia seria o fortalecimento do mercado único europeu, especialmente no setor elétrico, promovendo uma interconexão em escala continental. A ideia é criar um bloco econômico mais resiliente e capaz de defender seus interesses estratégicos.
Perguntas em Aberto e o Futuro da Indústria Europeia
A declaração de Macron levanta questões cruciais sobre a capacidade da Europa de reverter a tendência de desindustrialização e de se desvencilhar de dependências estratégicas. A velocidade com que a China ascendeu como potência industrial e exportadora, aliada a práticas comerciais que muitos consideram desleais, impõe um dilema complexo para os formuladores de políticas europeias. Será possível encontrar um equilíbrio entre o comércio livre e a proteção da indústria local? Como a UE pode fomentar a inovação e a produção interna para competir em pé de igualdade, sem cair em protecionismo excessivo?
A resposta a essas perguntas definirá o futuro econômico e geopolítico da Europa nas próximas décadas. A necessidade de uma estratégia comum, que contemple desde a política industrial até a segurança energética e tecnológica, torna-se cada vez mais premente. A advertência de Macron serve como um chamado à ação para que os líderes europeus superem divergências internas e construam um futuro mais autônomo e próspero para o continente.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





