Estatísticas recentes do Imposto de Patrimônio, divulgadas pela Hacienda, indicam uma acentuada concentração de riqueza em Madrid, com o patrimônio médio de suas grandes fortunas agora superando em quatro vezes o registrado na Catalunha. Em 2024, o patrimônio médio declarado pelos contribuintes madrileños alcançou 11,7 milhões de euros, um aumento de 17,8% desde 2019. Em contraste, o patrimônio médio na Catalunha foi de 2,8 milhões de euros, apesar de um crescimento de 7,7% no mesmo período.

O Salto da Concentração de Riqueza

A disparidade se torna ainda mais evidente ao analisar os números absolutos. O patrimônio total declarado em Madrid atingiu 297.901 milhões de euros, enquanto a Catalunha registrou 268.330 milhões de euros. Contudo, a diferença no número de declarantes é crucial para entender a média. Madrid conta com 25.524 declarantes, enquanto a Catalunha possui 94.875. Essa diferença sugere que, embora o volume total de riqueza seja comparável, a distribuição em Madrid é significativamente mais concentrada em um número menor de indivíduos.

Mecanismos e Incentivos Fiscais

A política fiscal de Madrid tem sido um fator determinante nesse cenário. A introdução do Imposto de Solidariedade para Grandes Fortunas pelo Estado em 2022, com o objetivo de neutralizar as bonificações fiscais autonômicas, foi respondida por Madrid com uma lei própria que isentava o pagamento desse imposto para quem já pagava o Imposto de Patrimônio regional. Essa estratégia permitiu que a arrecadação ficasse na região. Como resultado, Madrid viu sua arrecadação saltar de zero em 2022 para mais de 600 milhões de euros em 2023 e 2024, beneficiando milhares de contribuintes e economizando-lhes centenas de milhões em impostos anualmente.

Implicações para o Ecossistema Econômico

Essa política fiscal, aliada a incentivos como a dedução de 20% no Imposto de Renda autonômico para investidores estrangeiros que se mudem para a capital e realizem investimentos, posiciona Madrid como um ímã para a riqueza. A composição do patrimônio declarado em Madrid é majoritariamente composta por ativos financeiros, como ações e participações (68,7%), indicando um perfil de investidor mais dinâmico e menos focado em bens imobiliários, que representam apenas 17,6%. Isso sugere uma atração de capital volátil e com potencial de crescimento, mas também levanta questões sobre a sustentabilidade dessa concentração e seus efeitos na coesão social e no desenvolvimento econômico das demais regiões espanholas.

Perguntas em Aberto

A concentração crescente de riqueza em Madrid levanta debates sobre a equidade na distribuição econômica e o papel das políticas fiscais na atração de capital. A longo prazo, o modelo de Madrid pode inspirar outras regiões ou acentuar as disparidades existentes? Como a Espanha como um todo se beneficiará ou será prejudicada por essa centralização de grandes fortunas? A análise contínua desses dados será fundamental para entender as dinâmicas econômicas em evolução no país.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka