A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou uma mudança drástica na estratégia da estatal ao afirmar que a atual administração prioriza a compra e a retenção de ativos em detrimento da política de desinvestimentos adotada em anos anteriores. Em declaração feita nesta terça-feira (12), a executiva indicou que a companhia não pretende se desfazer de participações estratégicas, como a que detém na Braskem, e que o foco agora recai sobre o fortalecimento da presença no setor petroquímico e a busca por novas reservas de óleo e gás.

Segundo reportagem da Bloomberg Línea, a gestão de Chambriard busca reverter o que chamou de um distanciamento da petroquímica. A Petrobras, que mantém participação relevante na Braskem, pretende atuar como sócia ativa no negócio, destravando impasses societários que se arrastavam. A mensagem central é de que a estatal pretende ser um player comprador, utilizando sua capacidade financeira para consolidar posições em vez de enxugar o portfólio.

A guinada estratégica da estatal

O posicionamento de Chambriard marca um contraste direto com a gestão anterior, que buscou a venda de ativos para reduzir o endividamento e focar no pré-sal. A leitura editorial é que a Petrobras agora tenta resgatar a integração vertical, apostando na petroquímica como um pilar essencial para a estabilidade da cadeia de valor do petróleo. Essa estratégia pressupõe que a companhia possui capital e apetite para gerir um portfólio mais amplo e diversificado.

Ao manter a participação na Braskem, a estatal sinaliza que não vê mais a petroquímica como um ativo não essencial, mas como parte integrante de sua estratégia de longo prazo. A análise indica que a empresa busca maior controle sobre a cadeia produtiva, o que tende a alterar a dinâmica de alocação de capital da petroleira nos próximos anos.

Expansão geográfica e novos horizontes

Além do mercado doméstico, a Petrobras volta a olhar para o exterior com ambições exploratórias. De acordo com a Bloomberg Línea, a agenda da presidente no México, com diálogo com o governo de Claudia Sheinbaum, aponta para uma possível parceria com a Pemex na exploração de águas profundas no Golfo do México. A estatal brasileira, reconhecida pela excelência técnica nesse tipo de operação, busca aplicar seu know-how em regiões ainda pouco exploradas pela contraparte mexicana.

O plano de internacionalização inclui ainda a África e a Venezuela. No caso venezuelano, a companhia acompanha mudanças regulatórias locais para avaliar se a entrada no país é viável e segura. O movimento sugere uma disposição em assumir riscos geopolíticos em troca de potenciais reservas expressivas, exigindo monitoramento constante das condições regulatórias e diplomáticas.

Impacto nos preços e governança

No cenário doméstico, a gestão enfrenta o desafio de equilibrar a política de preços com as pressões do mercado internacional, especialmente diante de tensões no Oriente Médio. A diretoria tem indicado que, embora a Petrobras siga a lógica de mercado, a governança busca evitar o repasse integral da volatilidade externa ao consumidor, por meio de instrumentos de suavização e gestão interna de margens e estoques.

Segundo a Bloomberg Línea, a meta de breakeven para o petróleo bruto está ao redor de US$ 59 por barril neste ano, com objetivo de reduzir esse patamar para a faixa entre US$ 48 e US$ 50 até 2030. Essa busca por eficiência operacional é o que deve sustentar a capacidade da empresa de financiar novas aquisições e projetos de expansão internacional sem comprometer a saúde financeira.

Desafios e incertezas futuras

A estratégia de expansão levanta questões sobre a disciplina de capital da estatal. A transição de uma postura de venda de ativos para uma de aquisições exige governança rigorosa para evitar ineficiências que marcaram gestões passadas. O mercado observa como a empresa conciliará seus planos de crescimento com a manutenção de dividendos e a sustentabilidade financeira de longo prazo.

O sucesso dessa nova fase dependerá de como a Petrobras navegará pelas complexidades geopolíticas da Venezuela e por uma eventual integração com a Pemex, além de como gerenciará a competição doméstica entre o preço da gasolina e o etanol. A trajetória sob a nova administração sugere uma mudança de paradigma que ainda precisa ser testada pela execução concreta dos projetos anunciados. Com reportagem de Bloomberg Línea

Source · Bloomberg Línea