A Malásia busca consolidar o durian, sua fruta icônica de aroma potente e sabor complexo, em mercados internacionais, com foco especial na China. O país asiático, conhecido por suas variedades de alta qualidade e pelo hábito de colher a fruta apenas quando totalmente madura — o que intensifica seu cheiro e sabor, mas limita drasticamente sua vida útil —, enfrenta o desafio de competir com a Tailândia, que já possui uma forte presença no mercado chinês.
O mercado chinês de durian importado movimentou US$ 7,5 bilhões em 2025, com um volume de 1,87 milhão de toneladas. A Tailândia detém a maior fatia desse mercado, beneficiada por sua entrada antecipada. A Malásia, que iniciou suas exportações de durian fresco para a China apenas em 2024, ainda é uma participante menor, mas demonstra um crescimento acelerado: o valor de suas importações no primeiro semestre de 2026 quadruplicou em relação ao ano anterior. Esse avanço, no entanto, é marcado por desafios logísticos e pela natureza perecível da fruta.
O Desafio da Maturação e da Logística
O principal diferencial e, ao mesmo tempo, a maior fragilidade da indústria de durian malaia reside na sua prática de colheita. Ao contrário de outros produtores que podem colher a fruta precocemente para prolongar sua vida útil, os agricultores malaios esperam que o durian amadureça naturalmente e caia, sendo capturado por redes ou cordas. Essa abordagem garante um sabor e textura superiores, altamente valorizados pelos conhecedores, mas impõe um prazo de validade extremamente curto, de apenas dois a três dias. Atrasos em qualquer ponto da cadeia, especialmente durante as verificações alfandegárias, podem comprometer a qualidade do produto e aumentar as taxas de reembolso para os exportadores.
Edison Ang, fundador do Durian Experience Centre em Kuala Lumpur, destaca que o objetivo não é convencer novos consumidores a experimentar o durian, mas sim persuadir aqueles que já consomem a fruta de outros países a migrarem para as variedades malaias. O centro, inaugurado neste verão com um investimento de quase US$ 2 milhões, visa educar tanto locais quanto turistas, especialmente os chineses, sobre a cultura e os produtos derivados do durian, como tortas e sorvetes. Essa estratégia de marketing e experiência busca agregar valor e criar uma conexão emocional com o consumidor.
Diversificação de Produtos e Mercados
Para mitigar os riscos associados à curta vida útil da fruta fresca e à volatilidade do mercado chinês, empresas malaias têm investido na diversificação de seus produtos. Leron Yee, da DKing, que atua tanto no mercado doméstico quanto no de exportação, oferece pasta de durian, chocolates e mochis com o sabor da fruta, além de mooncakes para o Festival da Lua. Adrian Choy, da DurianBB, expandiu seu portfólio para incluir sorvetes, sobremesas, durian seco e até mesmo um perfume com aroma de flor de durian. Essa estratégia de agregar valor e criar diferenciação é crucial, pois, como Choy aponta, "comida é comida" e o valor percebido não pode ser inflado apenas pela marca, exigindo uma proposta de valor mais robusta.
A crescente popularidade do durian malaio na China é visível em lojas especializadas que surgiram em cidades como Pequim, algumas focadas especificamente nas variedades malaias. Lojas como a Jiang Sir oferecem bandejas de durian com preços variados, dependendo da polpa e da variedade escolhida. A percepção de que o durian é um item de luxo, sensível às condições econômicas, também impulsiona a busca por mercados alternativos e produtos de maior valor agregado, que possam sustentar a demanda mesmo em períodos de menor poder de compra do consumidor chinês.
O Futuro do Durian Malaio na China
O interesse chinês pela experiência de consumir durian fresco na Malásia, como demonstrado por visitantes como Henry Zhang de Xangai, sugere um potencial de crescimento contínuo. Zhang elogiou a cremosidade e a variedade de sabores dos durians malaios em comparação com os tailandeses, e apreciou a oferta diversificada do Durian Experience Centre. A aposta malaia reside em capitalizar essa preferência por qualidade e autenticidade, transformando a fruta em uma embaixadora cultural e gastronômica.
No entanto, a dependência de um único mercado, como o chinês, e a natureza perecível da fruta fresca continuam sendo pontos de atenção. A capacidade da Malásia de otimizar sua cadeia de suprimentos, inovar em produtos de longa duração e, potencialmente, explorar outros mercados asiáticos será fundamental para sustentar o crescimento e a rentabilidade de sua indústria de durian a longo prazo. A busca por um equilíbrio entre a tradição da maturação natural e as exigências do comércio global definirá o sucesso futuro da "fruta do rei" malaia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





