Os resultados da Marcopolo (POMO4) no terceiro trimestre de 2026 apresentaram um cenário desafiador, com lucro líquido de R$ 187 milhões e receita líquida em queda de 8,5% na comparação anual, totalizando R$ 2,29 bilhões. O Ebitda, indicador de desempenho operacional, recuou 35%, para R$ 274 milhões, com margem de 12%, abaixo dos 16,8% registrados no mesmo período do ano anterior. A leitura negativa repercutiu no desempenho das ações, que recuaram 3,64% na quarta-feira (4).

Contexto e Desafios do Trimestre

Analistas do Safra e Itaú BBA destacaram que os resultados ficaram abaixo do consenso de mercado, com lucro líquido 14,4% inferior ao esperado e Ebitda aproximadamente 16% abaixo das projeções. A queda nos volumes consolidados, de 26%, foi um dos principais fatores de pressão. A Marcopolo entregou apenas dois veículos do programa Caminho da Escola, em contraste com 631 no mesmo período de 2025, e enfrentou demanda doméstica mais fraca por ônibus urbanos. As operações internacionais também foram afetadas, com quedas significativas nos volumes no México (-66%), Argentina (-62%) e África do Sul (-74%). A valorização do real e o aumento nos custos de matérias-primas também impactaram a rentabilidade.

Mecanismos de Pressão e Reestruturação

O Itaú BBA chamou a atenção para a margem Ebitda de 12%, ligeiramente abaixo de sua projeção, e para os comentários da administração sobre a continuidade dos desafios. A companhia registrou cerca de R$ 20 milhões em despesas de reestruturação, que, sem elas, elevariam a margem Ebitda para 12,8%. O receio é que despesas similares possam ocorrer no quarto trimestre, indicando que a administração prevê um cenário de volumes pouco aquecidos por algum tempo. As reestruturações em andamento no Brasil e no México reforçam essa percepção, sugerindo que a empresa está se adaptando a um ambiente operacional mais desafiador.

Implicações e Perspectivas dos Bancos

Apesar dos resultados fracos e dos riscos à frente, Safra e Itaú BBA mantêm a recomendação de 'outperform' (compra) para as ações da Marcopolo (POMO4). O Itaú BBA estabeleceu um preço-alvo de R$ 7,50, com potencial de valorização de 100,5% sobre a cotação de referência. Já o Safra projetou um preço-alvo de R$ 9,10, o que representa uma alta potencial de 155%. Essa divergência entre o desempenho trimestral e as projeções otimistas dos bancos se baseia em fatores como a geração de caixa operacional de R$ 300 milhões, o baixo endividamento do segmento industrial e o início da produção de veículos do Caminho da Escola no quarto trimestre, que pode impulsionar a recuperação dos volumes.

Perguntas em Aberto e Futuro

O principal receio dos analistas é que a pressão sobre as margens leve a cortes nas projeções de lucro para 2027. O consenso da Bloomberg aponta para um lucro líquido de R$ 1,1 bilhão no próximo ano, uma estimativa que pode ser revista para baixo caso o ambiente operacional permaneça fraco. Resta saber se as estratégias de reestruturação e a retomada de programas governamentais serão suficientes para reverter a tendência de queda e impulsionar a rentabilidade da companhia no médio prazo.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Money Times