A massa falida da Oi, que opera em regime de continuação provisória de atividades, divulgou um resultado líquido consolidado negativo em R$ 36,4 bilhões para o ano de 2025. Este resultado representa uma reversão significativa em relação ao lucro de R$ 9,6 bilhões registrado em 2024, conforme as demonstrações financeiras apresentadas pela companhia. A receita operacional líquida consolidada também sofreu uma retração considerável, somando R$ 2,6 bilhões em 2025, o que representa uma queda de 18,3% quando comparado aos R$ 3,18 bilhões apurados no ano anterior.

O Cenário da Falência

A Oi encontra-se em processo de falência desde 25 de agosto de 2025, data em que o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro confirmou a sentença que converteu sua recuperação judicial em falência, com o acórdão publicado em 2 de setembro do mesmo ano. Esse cenário legal complexo impacta diretamente a apresentação e a interpretação dos resultados financeiros da empresa. A forte deterioração no resultado financeiro consolidado, que passou de um superávit de R$ 12,2 bilhões em 2024 para um déficit de R$ 33,2 bilhões em 2025, é um dos principais fatores que explicam o prejuízo bilionário.

Mecanismos do Prejuízo

O resultado financeiro negativo em 2025 foi amplamente influenciado pela reversão de ajustes contábeis relacionados à novação de passivos, um componente essencial do plano de recuperação judicial. Esses ajustes incluíram a recomposição de saldos nominais de obrigações com empréstimos, financiamentos, fornecedores e, notavelmente, com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 2024, o cenário foi o oposto: o resultado financeiro foi beneficiado por efeitos contábeis decorrentes da homologação do plano, que permitiu a novação e o recálculo de dívidas sujeitas a esse plano.

Opinião Adversa da Auditoria

A auditoria independente, conduzida pela PWC, emitiu uma opinião adversa sobre as demonstrações financeiras da Oi. Segundo a PWC, os demonstrativos “não apresentam adequadamente” a posição patrimonial e financeira, bem como o desempenho da companhia e de suas controladas. A auditoria aponta que as demonstrações deveriam ter sido preparadas sob a base contábil de liquidação, e não sob o pressuposto de continuidade operacional, que se mostrou inadequado no contexto de falência. Essa divergência contábil sugere que os ajustes requeridos para a base de liquidação afetariam significativamente itens relevantes de ativos e passivos, indicando que a companhia "não será capaz de liquidar seus passivos no curso normal".

Perspectivas e Perguntas

O prejuízo expressivo e a opinião adversa da auditoria lançam dúvidas sobre a capacidade da massa falida de Oi de honrar seus compromissos futuros. A reversão de ajustes contábeis, embora explicada por movimentos anteriores de recuperação judicial, evidencia a fragilidade financeira subjacente. O impacto da falência na operação e nos serviços prestados aos clientes, bem como o desenrolar dos processos legais e de liquidação, permanecem como pontos cruciais a serem observados. A gestão da massa falida e a forma como os ativos serão alienados para quitar dívidas definirão os próximos capítulos da história da Oi.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney