A ilha de Menorca, na Espanha, deu um passo decisivo para reestruturar seu sistema de assistência social. A Conselleria de Famílias e Bem-Estar Social, o governo local (Consell) e os oito municípios da ilha firmaram um protocolo para criar um serviço de atenção domiciliar unificado para pessoas em situação de dependência, centralizando uma operação antes pulverizada.

A mudança, reportada pela Forbes España, não é uma mera reorganização administrativa. É uma resposta estratégica ao envelhecimento da população e à crescente demanda por cuidados. Ao substituir convênios individuais por um consórcio único, Menorca aposta na centralização como ferramenta para garantir eficiência e, principalmente, equidade no atendimento, independentemente do local de residência do cidadão.

Um pacto contra a fragmentação

Até agora, o modelo de assistência domiciliar em Menorca era uma colcha de retalhos. Cada um dos oito municípios da ilha possuía seu próprio convênio com o governo regional, resultando em inevitáveis disparidades na qualidade e no acesso ao serviço. O novo desenho transfere a gestão para o Consórcio Sociossanitário de Menorca, que integrará a Rede Pública de Atenção à Dependência.

Para sustentar a transição, o governo reforçou o orçamento. Os convênios para o período 2025-2027 somam € 2 milhões, um aumento de 18% em relação ao ciclo anterior. As horas de atendimento mensais também cresceram 43% durante a atual legislatura, alcançando 6.685 horas. A leitura é clara: a reestruturação vem acompanhada de capital para viabilizar a promessa de um serviço mais robusto e padronizado.

O duplo impacto: social e laboral

A principal justificativa para o novo modelo é a busca por uma atenção mais “coordenada, eficiente e equitativa”, nas palavras do governo. Para uma população que envelhece, isso se traduz em maior previsibilidade e segurança no cuidado. A implantação será gradual, justamente para garantir a continuidade do serviço aos usuários atuais sem rupturas.

Contudo, há um segundo vetor de impacto, igualmente relevante: as condições de trabalho dos profissionais de cuidado. O protocolo visa criar condições laborais e salariais mais homogêneas em toda a ilha. A aposta é que a estabilidade e a valorização dos cuidadores são indissociáveis da qualidade do serviço prestado, atacando um ponto nevrálgico da chamada “economia do cuidado”.

O movimento em Menorca serve como um microcosmo para um debate global sobre a arquitetura de políticas sociais. O sucesso da iniciativa dependerá de equilibrar a eficiência da gestão centralizada com a sensibilidade às necessidades locais. A ilha se torna, assim, um laboratório a ser observado por outras regiões que enfrentam desafios demográficos semelhantes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España