O mercado de arte britânico, outrora um gigante incontestável, mostra sinais de desaceleração em comparação com seus principais rivais globais, os Estados Unidos e a China. Um relatório recém-divulgado pela British Art Market Federation, "The British Art Market 1996–2025", analisa o desempenho do segundo maior mercado de arte do mundo ao longo de três décadas. Embora o Reino Unido mantenha sua posição de relevância, com vendas estimadas em £8 bilhões (US$ 10,5 bilhões) em 2025, o ritmo de crescimento tem sido significativamente menor do que o de seus concorrentes.

Crescimento Lento Frente à Concorrência

Desde 2009, o mercado de arte americano expandiu-se em impressionantes 114%, e as vendas globais agregadas subiram 51%. Em contrapartida, o mercado britânico registrou um crescimento modesto de apenas 14% no mesmo período. Essa disparidade levanta questões sobre a sustentabilidade e a competitividade do setor no Reino Unido. A Federação aponta a "sufocante regulamentação excessiva e crescente" como um dos principais entraves para as pequenas empresas que compõem a espinha dorsal do mercado. O relatório menciona o Brexit apenas uma vez, em um contexto de alterações nos procedimentos de declaração de importações dentro da União Europeia desde 2021.

Concentração e Dependência

O relatório também evidencia uma forte concentração de vendas. Cerca de 7.610 galerias e revendedores atuavam no Reino Unido em 2025, a maioria classificada como "pequenas ou micro empresas", com 89% delas faturando até £1 milhão (US$ 1,3 milhão). As feiras de arte, que representam 37% das vendas dos revendedores, são cruciais, mas o número de eventos no país diminuiu. Além disso, a dependência de poucos artistas é notória: um único artista de ponta responde por 38% das vendas de uma galeria, e os três principais somam 59% – um cenário que se agrava, pois esses números aumentaram desde 2022.

O Papel das Casas de Leilão e Setores

As casas de leilão desempenham um papel colossal, respondendo por 42% do valor total das vendas em 2025, totalizando £3,3 bilhões (US$ 4,4 bilhões). Embora o volume de vendas tenha crescido 8% em 2025, ainda ficou 20% abaixo do pico de 2023. Works of art vendidas por US$ 1 milhão ou mais representaram 55% do valor total, apesar de serem menos de 1% das transações. O setor de arte contemporânea e pós-guerra domina o mercado de leilões, respondendo por quase metade de seu valor. No entanto, o Reino Unido lidera o mercado de Mestres Antigos, com 38% de participação global. As exportações, embora tenham crescido 46% desde 2000, caíram 15% ano a ano, possivelmente devido a "efeitos indiretos e incertezas" relacionados a anúncios de tarifas do ex-presidente dos EUA, Donald Trump.

Implicações e Perguntas em Aberto

A análise sugere que a dependência de poucos artistas e casas de leilão, somada a um ambiente regulatório desafiador, pode estar limitando o potencial de crescimento do mercado de arte britânico. A diminuição das exportações para os EUA, embora compensada por uma menor dependência geral do comércio americano ao longo do tempo, representa um ponto de atenção. A concentração de vendas em poucas mãos, tanto de artistas quanto de compradores de obras de alto valor, levanta questões sobre a diversidade e a resiliência do mercado. O futuro dirá se o Reino Unido conseguirá reverter essa tendência e manter sua posição de destaque em um cenário global cada vez mais competitivo.

O mercado de arte britânico, apesar de seus desafios, ainda representa uma fatia significativa do comércio global e contribui com uma receita fiscal estimada em £1,5 bilhão em 2025. A capacidade de adaptação a novas regulamentações e a diversificação de seus atrativos serão cruciais para sua recuperação e crescimento futuro. Com reportagem de Brazil Valley

Source · ARTnews