Em um período notavelmente curto de sete anos, a Mercadona, gigante espanhola do varejo alimentar, redefiniu sua presença em Portugal, passando de uma completa novidade a um player de peso no mercado. A rede valenciana, que entrou no país em 2016 e abriu sua primeira loja em 2019, já alcança uma fatia de 7,4% do mercado português, superando concorrentes estabelecidos como Intermarché, Auchan e Aldi. O dado mais expressivo, no entanto, é a penetração em lares: mais de 55,6% das famílias portuguesas já realizaram compras nas lojas da Mercadona, seja de forma habitual ou esporádica. Este avanço consolida a empresa no "Top 5" do setor de supermercados lusitano, um feito impressionante considerando sua curta trajetória.
Uma entrada estratégica e acelerada
A estratégia da Mercadona em Portugal difere significativamente de sua operação na Espanha, onde detém quase 30% do mercado. No país vizinho, a Mercadona é uma "recém-chegada" em um cenário dominado por gigantes como Sonae (Continente) e Jerónimo Martins (Pingo Doce), que juntos somam quase 50% da participação de mercado. No entanto, a companhia tem demonstrado uma capacidade notável de adaptação e crescimento acelerado. Desde 2019, a Mercadona investiu mais de 1,23 bilhão de euros em Portugal, expandindo sua rede para 76 lojas e planejando fechar o ano com 81 unidades, um aumento de uma dúzia em relação a 2025. Essa expansão é acompanhada por um investimento contínuo, com cerca de 150 milhões de euros previstos para este ano, e já resultou em um lucro líquido de 26 milhões de euros em 2025, o segundo ano consecutivo de resultados positivos no país.
O modelo Mercadona em terras lusitanas
A fórmula de sucesso da Mercadona em Portugal parece replicar os pilares que a consagraram na Espanha: preços baixos, forte aposta em marca própria (com marcas como Hacendado, Deliplus e Bosque Verde) e um sortido otimizado, que inclui opções de refeições prontas. Essa abordagem tem se mostrado eficaz para atrair consumidores portugueses, que, segundo dados da Worldpanel by Numerator, estão cada vez mais familiarizados com a marca. A penetração em mais da metade dos lares é um indicador claro de que o modelo ressoa com o público local, desafiando a percepção de que o mercado português seria resistente a novos formatos ou a forte concorrência de players tradicionais.
Implicações para o varejo português
A rápida ascensão da Mercadona levanta questões importantes para os concorrentes tradicionais em Portugal. Embora a rede espanhola ainda esteja longe de alcançar a liderança de mercado detida por Continente e Pingo Doce, sua presença crescente e sua capacidade de atrair uma parcela significativa dos consumidores forçam os players estabelecidos a reavaliar suas estratégias. A pressão por preços competitivos e a eficiência operacional tornam-se ainda mais cruciais. A expansão da Mercadona também pode influenciar o comportamento do consumidor, acostumando-o a um determinado padrão de qualidade e preço, o que pode gerar novas dinâmicas de fidelidade e escolha.
O futuro da Mercadona em Portugal
O futuro da Mercadona em Portugal parece promissor, mas não isento de desafios. A empresa precisa continuar a equilibrar sua agressiva estratégia de expansão com a rentabilidade e a consolidação de sua posição frente aos líderes de mercado. A capacidade de inovar e adaptar seu sortido às particularidades do consumidor português, especialmente em regiões como o Algarve, onde planeja reforçar sua presença, será fundamental. Resta observar se a Mercadona conseguirá manter seu ritmo de crescimento e, eventualmente, disputar as primeiras posições no competitivo cenário do varejo alimentar português.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





