Palma, na Espanha, tornou-se o palco de um importante debate sobre o futuro dos mercados tradicionais. Um encontro nacional, que reuniu mais de 180 representantes de todo o país, buscou soluções para os desafios impostos pela crescente pressão turística e pela necessidade de renovação geracional. O evento, organizado pela Confederação de Mercados Tradicionais de Abastos de Espanha (Metrae) sob o lema ‘Mercados: coração de bairro, alma de cidade’, destacou a dualidade entre preservar a autenticidade e acolher o turismo.

A presidente da federação balear, Aina Moyà, enfatizou a importância da colaboração entre o setor público e os profissionais para garantir a sustentabilidade desses espaços. "Para quem está atrás de um posto todos os dias, saber que a instituição nos acompanha faz a diferença", afirmou Moyà, ressaltando o modelo de cooperação em Mallorca como um exemplo a ser seguido. A necessidade de modernização, sem perder a essência, foi um tema central.

O Dilema do Turismo e da Identidade

O presidente da Metrae, Asier Beato Iglesias, alertou para o risco de os mercados se tornarem meras "postais turísticas", perdendo sua função original de servir à comunidade local. "O turismo é bem-vindo, por suposto, mas não podemos nos tornar uma postal que expulse a comunidade que nos deu vida", declarou Beato. A visão apresentada defende uma modernização que vá além da tecnologia, focando no consumidor e no comércio de proximidade. A proposta é fortalecer os diferenciais dos mercados: produto excelente, atendimento humano e critério profissional, elementos que os distinguem de outros formatos comerciais.

Relevo Geracional e Novos Consumidores

O encontro abordou o desafio do relevo geracional, crucial para a continuidade dos ofícios e da própria existência dos mercados. Um curta-metragem exibido durante o evento, intitulado ‘O Legado’, focou no trabalho diário dos comerciantes e nas dificuldades de atrair novas gerações. A programação incluiu debates sobre como adaptar esses espaços às novas formas de consumo, buscando atrair públicos diversos sem descaracterizar sua identidade. A mesa ‘Nem parque temático nem museu’ discutiu a convivência entre o apelo turístico e a função de compra habitual para os residentes, um equilíbrio delicado que exige estratégias cuidadosas.

Inovação e Valor do Comércio de Proximidade

Além das discussões sobre identidade e turismo, o evento explorou o potencial das novas tecnologias para o comércio de proximidade. O espaço ‘Mercado de ideias’ apresentou propostas práticas sobre alimentação saudável, produtos locais e inovações tecnológicas. A palestra ‘O orgulho de ser placero’ celebrou o valor dos profissionais que atuam nesses mercados, reforçando a importância de suas habilidades e dedicação. A iniciativa busca não apenas modernizar os mercados, mas também valorizar o conhecimento e a paixão que movem esses comerciantes, elementos essenciais para a sua sobrevivência e prosperidade.

Perspectivas e Reconhecimento

O encontro culminou com a entrega dos Prêmios Metrae 2026, que reconheceram iniciativas de dinamização comercial, sustentabilidade e divulgação. Entre os premiados estavam o Ayuntamiento de Valência e o projeto madrileño ‘Mercados en Crescendo’, além de comerciantes e divulgadores gastronômicos como Pablo Albuerne Juanco, o Gipsy Chef. O diretor geral de Alimentação do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação, José Miguel Herrero Velasco, foi homenageado como Embaixador de Mercados Municipais 2026. Essas distinções sublinham o esforço coletivo para preservar e fortalecer os mercados tradicionais como pilares da vida urbana e cultural.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Forbes España