Em Nova York, Londres e Washington, os anúncios dos óculos inteligentes da Meta estão sendo cobertos por pôsteres satíricos de grupos ativistas. As intervenções são ácidas: uma delas chama o produto de “o maior avanço em tecnologia para pervertidos desde o sobretudo”. Outra estampa a frase “óculos de predador de vigilância em massa” sobre o rosto de uma influenciadora parceira da marca.
A mensagem, segundo reportagem do The Verge, é cristalina e expõe o calcanhar de Aquiles da Meta. O problema não é apenas a tecnologia, mas a empresa por trás dela. O episódio ilustra como a desconfiança acumulada ao longo dos anos se tornou o principal obstáculo para a ambição da companhia no mercado de wearables.
O LED não basta
A principal salvaguarda de privacidade oferecida pela Meta é uma pequena luz de LED que acende quando os óculos estão gravando. A aposta de que um sinal luminoso discreto seria suficiente para construir um novo contrato social em torno da gravação em público parece, no mínimo, otimista. A reação nas ruas sugere que a solução é percebida como inadequada e facilmente ignorável.
O cenário remete ao fracasso do Google Glass, há mais de uma década, que gerou o termo pejorativo “Glasshole” para seus usuários. A Meta parece repetir a cartilha, mas com um agravante: seu histórico de escândalos de privacidade torna a desconfiança do público um ponto de partida, não uma consequência. A questão fundamental não é se a tecnologia funciona, mas se as pessoas confiam na empresa que a opera.
Para a Meta, o desafio transcende o marketing ou o design de produto. Trata-se de uma crise de legitimidade. Enquanto a empresa não conseguir convencer o público de que seus interesses estão alinhados com os da sociedade, seus dispositivos de computação vestível correrão o risco de serem vistos não como uma inovação, mas como uma ameaça. A aceitação social, ao que tudo indica, não virá de um LED.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Verge





