Bramble, uma pastor australiana de 21 quilos, encara o mundo do banco de trás de um colosso de metal e baterias. O veículo em questão é a picape Hummer EV, um monstro elétrico que a General Motors ressuscitou para a era da eletrificação. Mas em um ensaio para a publicação automotiva The Drive, a pergunta central não era sobre autonomia ou torque. Era mais simples: o Hummer elétrico é um bom carro para cachorros?

A resposta curta é sim, mas a longa é mais interessante. O Hummer EV vive um paradoxo. Sua missão primária é parecer "cool", uma demonstração de força e tecnologia. Mas, por definição, esforçar-se demais para ser cool é inerentemente o oposto. É um veículo que grita por atenção. Onde quer que vá, as pessoas notam, formam uma opinião e rotulam seu motorista.

O paradoxo do 'cool'

É aqui que entra o cão. Segundo o autor, um cachorro é o grande "desarmador" dessa frieza calculada. Mesmo quem odeia a ostentação do Hummer é forçado a sorrir ao ver um cão feliz no banco do passageiro. O animal humaniza a máquina, transformando um exercício de ego em um simples passeio. O teste de popularidade, portanto, é aprovado com uma ajuda de quatro patas.

Na prática, a picape se mostra um ambiente robusto. O interior, feito de materiais resistentes e sem detalhes delicados, é à prova de patas e garras. O espaço no banco traseiro é descrito como "abundante", capaz de acomodar vários cães de grande porte com folga. O desafio é o acesso: com a suspensão a ar em seu nível mais baixo, a entrada ainda é um salto considerável, exigindo um impulso para cães maiores ou mais velhos.

Engenharia para o olfato

A grande atração, contudo, é o teto removível. Para um animal que vive pelo olfato, ter o teto aberto em um dia de sol é a experiência sensorial definitiva. O autor nota, porém, que há um limite: o que é uma brisa agradável a 50 km/h se transforma em um teste de resistência a velocidades mais altas, forçando o cão a se esconder do vento. É a síndrome do "excesso de uma coisa boa", encapsulando a própria natureza do veículo.

O Hummer EV tem truques como o "CrabWalk", que permite mover o carro na diagonal, mas o veredito canino parece ignorar a pirotecnia. A aceleração vertiginosa, capaz de gerar mais de 1.000 cavalos de potência, seria mais um susto do que um deleite para o animal.

No fim, a avaliação revela que o habitat ideal para o Hummer EV e seu passageiro canino não está na aceleração brutal ou nas manobras complexas, mas em um passeio tranquilo, a 60 km/h, com as janelas abertas. É um lembrete de que, mesmo na mais exagerada das máquinas, a alegria muitas vezes reside na simplicidade de sentir o vento e farejar o mundo lá fora.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Drive