No coração do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a praça Kendall Plaza foi transformada em um portal para o futuro durante o inaugural Future Fest. A designer Behnaz Farahi, à frente do Critical Matter Group no MIT Media Lab, concebeu a instalação "Ocean of Dreams" — uma projeção monumental que utilizou o Museu MIT como tela, projetando imagens hiper-realistas do oceano e mensagens de esperança coletadas globalmente.

A instalação, que cobriu cerca de 264 metros quadrados, combinou a fotografia de Jan Erik Waider com sons oceânicos e faixas ambientais do músico Justin Boreta. Sob as ondas virtuais, frases em dezenas de idiomas, como "fim a todas as guerras" e "fim à pobreza", foram exibidas, reunidas a partir de mais de 400 participantes internacionais. A intenção, segundo Farahi, era abordar a esperança não como um otimismo passivo, mas como uma forma de agência, a capacidade de imaginar realidades alternativas em um período marcado pela incerteza e ansiedade.

Arte e tecnologia a serviço da imaginação

"Ocean of Dreams" transcende a mera exibição de tecnologia. Representa uma nova forma de pensar o design, que vai além da criação de objetos para se concentrar na possibilidade de projetar ativamente os futuros desejados. Farahi descreve o design como um meio de questionar "o que poderia ser diferente" e como podemos materializar essas possibilidades. A instalação no MIT serviu como um catalisador para essa reflexão, convidando o público a interagir diretamente com a projeção, caminhando através dela e absorvendo a mensagem de esperança e imaginação coletiva.

Um eco global em tempos de incerteza

A escolha do oceano como elemento central da instalação não foi aleatória. Ele evoca a vastidão, a profundidade e a força da natureza, ao mesmo tempo que simboliza a interconexão global. As mensagens crowdsourced, reunidas de mais de 400 pessoas de diferentes partes do mundo, reforçam essa ideia de uma experiência compartilhada e de um desejo coletivo por um futuro mais pacífico e equitativo. Em um contexto onde a ansiedade sobre o futuro é palpável, a obra de Farahi oferece um contraponto, um espaço para a contemplação e a reafirmação da capacidade humana de sonhar e de moldar o amanhã.

O papel do MIT Future Fest

O Future Fest, em sua primeira edição, focou em temas relacionados ao oceano, reunindo acadêmicos do MIT e pensadores externos para discutir tecnologias emergentes e seus impactos. A instalação "Ocean of Dreams" foi o ponto focal do evento, exemplificando a missão do festival de explorar a evolução tecnológica e suas implicações sociais e ambientais. A agilidade com que Farahi e sua equipe desenvolveram a obra, em apenas três semanas, destaca a capacidade de inovação e a cultura de colaboração dentro do MIT.

O futuro da imaginação

A instalação "Ocean of Dreams" deixa em aberto a reflexão sobre o poder da imaginação em tempos de crise. Ao projetar um futuro visualizado coletivamente, a obra sugere que a capacidade de imaginar é, em si, uma ferramenta poderosa para a mudança. O evento no MIT não apenas exibiu uma obra de arte tecnológica, mas também propôs um modelo para engajamento cívico e esperança ativa, incentivando a comunidade a pensar criticamente sobre o futuro que deseja construir.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen