O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) abriu as portas para "Full Disclosure: The Edge of Information Design", uma exposição que redefine os contornos do design de informação. Com curadoria de Paola Antonelli, a mostra transita entre o histórico e o futurista, apresentando desde infográficos clássicos até projetos inovadores que utilizam inteligência artificial para criar memórias sintéticas.

Memórias Sintéticas e a IA

Um dos destaques da exposição é o projeto "The Synthetic Memories Archive", do estúdio espanhol Domestic Data Streamers. A obra exibe imagens geradas por inteligência artificial a partir de textos de pessoas reais que descrevem lembranças reconstruídas. O objetivo é catalogar essas memórias, mas o estúdio também explora o potencial terapêutico da tecnologia para indivíduos com traumas ou demência. Essas peças, penduradas nas paredes, são acompanhadas pelos textos que serviram de base para a IA, convidando o público a refletir sobre a natureza da memória e da criação artística na era digital.

Design de Informação Expandido

Paola Antonelli propõe uma definição ampliada de design de informação, integrando trabalhos que vão além de meros conjuntos de dados científicos ou estatísticos. A exposição inclui "Two Sides of the Same Coin", de Laura Kurgan e Dan Miller, que visualiza a distribuição geográfica de micróbios associados a humanos e o uso do solo global ao longo de mais de 12.000 anos, evidenciando a perda de biodiversidade. Outro trabalho notável é "Calculating Empires", de Kate Crawford e Vladan Joler, que ocupa uma sala inteira e mapeia instituições e teorias desde 1500, cobrindo a totalidade da cultura e comunicação humana.

Investigação e Desconfiança

Em um período de crescente desconfiança em instituições, Antonelli buscou apresentar o caráter investigativo do design de informação. Ela se interessa particularmente por designers que criam seus próprios conjuntos de dados, caracterizando um "design completo". "Neste momento em particular, onde nossa confiança vacila a cada dia, eu queria mostrar como você está certo em não confiar em ninguém, mas pelo menos você pode seguir o caminho de um designer, de um jornalista, de um político – para ver se você concorda com o produto final ou não", explicou Antonelli. Exemplos dessa abordagem investigativa incluem o filme "The Seizure of the Iuventa", do Forensic Architecture e Forensic Oceanography, que utiliza recriações e modelos para auxiliar uma ONG acusada de contrabando na Itália.

Formatos e Narrativas

A exposição também demonstra como o design de informação pode representar escala e complexidade de maneiras literais. O trabalho de William Villalongo e Shraddha Raman estende os dados coletados por W.E.B. Du Bois sobre a diáspora africana e o emprego de afro-americanos para o século XXI. Representações digitais de artigos interativos do New York Times sobre o incêndio em Notre Dame e o Massacre de Tulsa ilustram o uso do design de informação na mídia digital. Em contraste com a maioria dos projetos digitais, a série "Dear Data", de Giorgia Lupi e Stefanie Posavec, apresenta cartões postais feitos à mão que detalham aspectos de suas vidas cotidianas. Antonelli enfatiza que o meio é menos importante do que a informação transmitida: "As pessoas podem narrar dados. É sobre reconhecer o esforço para explicar informações complexas de uma maneira verdadeiramente compreensível."

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Dezeen