A Mombak, startup especializada em créditos de carbono gerados a partir da restauração de áreas degradadas na Amazônia, deu um passo significativo em sua estratégia de expansão. A empresa anunciou o primeiro closing de seu segundo fundo de investimento, com o objetivo de captar US$ 150 milhões. Adicionalmente, a companhia assegurou uma linha de crédito de R$ 200 milhões (aproximadamente US$ 40 milhões) junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com uma taxa de juros anual de 2,3%.

O novo fundo, que nasce cinco anos após a fundação da Mombak por Peter Fernandez (ex-CEO da 99) e Gabriel Haddad Silva (ex-CFO do Nubank), incorpora os aprendizados da operação anterior. O primeiro fundo levantou US$ 120 milhões, viabilizando a restauração de 27 mil hectares no Pará e o plantio de quase 15 milhões de árvores de mais de 100 espécies. Agora, a Mombak visa ampliar a escala, aumentar a produtividade por hectare e a previsibilidade na geração de créditos de carbono.

O Mercado de Carbono e a Tese da Mombak

A Mombak opera em um segmento crescente e cada vez mais estratégico do mercado financeiro: os créditos de carbono. A tese da empresa reside na restauração de áreas degradadas na Amazônia, transformando-as em sumidouros de carbono que podem ser comercializados. Essa abordagem não apenas gera valor financeiro, mas também contribui para a conservação ambiental e a biodiversidade. A empresa se diferencia ao focar em projetos de reflorestamento com espécies nativas, buscando uma metodologia que se assemelha às florestas comerciais, mas adaptada à realidade amazônica.

Mecanismos de Escala e Produtividade

A evolução da Mombak reflete aprendizados cruciais. Inicialmente, a regeneração natural, embora eficaz, não oferecia a previsibilidade de receita necessária. A startup passou a priorizar o plantio de espécies nativas, com um foco intensificado em seleção genética, origem de sementes, manejo e escolha de propriedades. Essa mudança metodológica, com parte da equipe vindo da Suzano, visa aumentar a captura de carbono por hectare. Um dos desafios identificados foi o controle de plantas daninhas, que se tornou uma linha de custo significativa, algo subestimado no início.

Implicações para Investidores e o BNDES

O movimento da Mombak sinaliza maturidade no mercado de créditos de carbono. Se antes a empresa precisava provar a viabilidade da tese, agora apresenta um histórico de execução, incluindo a venda de créditos para gigantes como Google, McKinsey, Bain, McLaren Racing, Union Square Ventures e Salesforce. A captação de recursos agora envolve a garantia de compradores antecipados. A linha do BNDES, com juros baixos, permite escalar a operação sem diluir o retorno dos investidores. Para o banco, essa operação se alinha à estratégia de transformar a restauração florestal em um setor econômico viável, com quase 20 contratos já firmados em diversas biomas brasileiros, totalizando R$ 2,9 bilhões em aprovações.

Perguntas em Aberto e o Futuro da Restauração

O principal desafio para a Mombak e o setor de restauração florestal reside na conciliação entre o ciclo de capital, que exige retorno rápido, e o ciclo da floresta, que demanda tempo para maturação. O BNDES, ao financiar projetos com prazos longos, busca adaptar o capital ao ritmo da natureza. A capacidade da Mombak de manter a produtividade e a previsibilidade na geração de créditos, mesmo em larga escala, será fundamental para atrair e reter investidores e compradores, consolidando seu papel no emergente mercado de carbono.

O futuro da Mombak dependerá de sua habilidade em otimizar a captura de carbono por hectare e em gerenciar os custos operacionais, ao mesmo tempo em que navega pelas complexidades do mercado de crédito e pelas exigências de longo prazo da natureza. A expansão na Amazônia, com o respaldo do BNDES, posiciona a empresa como um player relevante na transição para uma economia de baixo carbono. Com reportagem de Brazil Valley

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