Dr. Timothy James King, o programador britânico cujo trabalho foi essencial para o sistema operacional do icônico Commodore Amiga, faleceu aos 70 anos no final de julho. A informação foi confirmada pela família, segundo reportagem do site AmigaNews e ecoada pelo The Register.

A contribuição de King é um capítulo fascinante na história da computação pessoal: um projeto de 'backup' que se tornou o coração de uma das máquinas mais influentes dos anos 80. Seu legado, no entanto, vai além do Amiga, abrangendo a computação paralela e os primórdios da internet comercial, demonstrando uma rara capacidade de atuar em diferentes frentes da inovação tecnológica.

O sistema que não deveria existir

Em meados da década de 1980, a Commodore enfrentava um impasse. O sistema operacional desenvolvido internamente para seu novo computador, conhecido como CAOS, estava irremediavelmente atrasado. Com o risco de o projeto inteiro naufragar, a empresa buscou ajuda externa e encontrou na britânica MetaComCo a solução.

Foi lá que Tim King, então pesquisador, realizou a tarefa que definiria sua carreira. Ele adaptou sua portabilidade do sistema TRIPOS — originalmente da Universidade de Cambridge — para o processador Motorola 68000, que equipava o protótipo do Amiga. Com uma velocidade descrita como "impressionante" por executivos da época, King e sua equipe integraram o TRIPOS ao kernel Amiga Exec, criando o que viria a ser conhecido como AmigaDOS. Essa intervenção foi o que viabilizou o lançamento da máquina em 1985.

De clusters a conexões

Após o sucesso no Amiga, King não se acomodou. Ele se juntou à startup Perihelion, onde mergulhou no campo da computação paralela. Ali, desenvolveu o Helios, um sistema operacional semelhante ao Unix projetado para rodar em máquinas com múltiplos processadores Transputer — uma arquitetura visionária, ainda que não tenha alcançado sucesso comercial.

Demonstrando novamente sua capacidade de identificar a próxima onda tecnológica, King pivotou sua carreira mais uma vez. Em 1994, ele fundou a UK Online, um dos primeiros provedores de internet comerciais do Reino Unido. A empresa foi vendida para a Easynet apenas dois anos depois, mas consolidou King como um pioneiro não apenas de software, mas também de infraestrutura de rede.

A trajetória de Tim King é a de um engenheiro pragmático, capaz de resolver problemas complexos sob pressão e de antecipar as grandes mudanças tecnológicas. Do sistema de arquivos de um computador amado por uma geração à infraestrutura que conectaria uma nação à internet, seu trabalho, muitas vezes nos bastidores, foi fundamental para moldar a computação como a conhecemos.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · The Register