Na capital do Azerbaijão, Baku, ergue-se um testemunho arquitetônico singular da era soviética: o Mosaico da Imprensa. Localizado na Mətbuat prospekti, a Avenida da Imprensa, o edifício foi concebido para abrigar as gráficas que imprimiam os jornais e livros da República Socialista Soviética do Azerbaijão. Sua fachada, em forma de um livro aberto, é uma declaração explícita de sua função e da ideologia que representava.

As duas grandes páginas de pedra que compõem a fachada são adornadas com uma tapeçaria de símbolos que narram a história da escrita. Hieróglifos egípcios e o calendário maia marcam as extremidades, enquanto escritas chinesa, georgiana, armênia e árabe preenchem o espaço intermediário. Acima dessas representações, ostentam-se os cabeçalhos de jornais icônicos da imprensa soviética, como o Iskra, o primeiro jornal socialista da Rússia, e o Pravda. O slogan político mais reproduzido do século XX, "Trabalhadores do mundo, uni-vos!", em azerbaijano e russo, atravessa a parede, ecoando a própria função do edifício em disseminá-lo.

A obra, que não poupa em sutileza, reflete a ambição e o alcance da propaganda soviética. O edifício ainda cumpre sua função, mas os sinais do tempo são evidentes. Avaliações online dividem-se entre o encanto com o "impressionante" mosaico e as reclamações de inquilinos sobre a falta de renovação e a obsolescência de suas instalações, como um elevador antigo. Essa dualidade – a grandiosidade da obra e o declínio de sua infraestrutura – é um reflexo da própria condição de muitos legados soviéticos.

Em Baku, muitos mosaicos da era soviética foram cobertos, reformados ou demolidos. A persistência deste, em particular, deve-se em parte à sua localização e ao fato de que o edifício subjacente permaneceu intocado por décadas, permitindo que a arte e a mensagem ideológica sobrevivessem à passagem do tempo e às mudanças políticas. O Mosaico da Imprensa, portanto, não é apenas um marco arquitetônico, mas um portal para a história e a ideologia que moldaram uma nação e uma era.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Atlas Obscura