A Ancestry, empresa de genealogia online, está aplicando inteligência artificial para transformar seu vasto acervo de dados em histórias de família. Em vez de apenas oferecer uma base de dados, a companhia está usando algoritmos para conectar pontos entre bilhões de registros e entregar narrativas que antes passavam despercebidas, como a descoberta de um executivo da própria empresa sobre a conexão de seu bisavô com o local de seu casamento.

Segundo uma reportagem da Fast Company, a estratégia da Ancestry se destaca por criar uma simbiose entre o trabalho humano e a automação. O modelo é um contraponto a gigantes como Meta e Ford, que, segundo a publicação, precisaram recontratar pessoal para corrigir problemas gerados pela IA. Na Ancestry, a tecnologia não substitui, mas potencializa a expertise humana, criando um ciclo virtuoso de descoberta e digitalização em escala.

O Indiana Jones dos arquivos encontra o algoritmo

O processo começa de forma analógica. Uma equipe de historiadores, descrita por uma executiva como "os Indiana Jones dos arquivos", viaja em busca de coleções de alto valor genealógico em arquivos, museus e bibliotecas. Eles negociam com as instituições e a Ancestry digitaliza os documentos — de censos a registros militares — sem custo para os detentores originais.

Uma vez digitalizados, os documentos entram no pipeline de tecnologia. A IA é usada para decifrar caligrafias antigas, extrair e indexar informações e, mais importante, cruzar dados entre os mais de 70 bilhões de registros da plataforma. O resultado é uma aceleração massiva: em 2023, a empresa adicionou 18,6 bilhões de novos registros, um salto exponencial em relação aos 800 milhões de 2021, com um custo por registro significativamente menor.

A simbiose que gera valor

O diferencial do modelo da Ancestry é que a IA não opera no vácuo. Ela é alimentada por um fluxo constante de material de alta qualidade, curado por especialistas. Essa combinação permite que a tecnologia se concentre em tarefas de escala — como ler milhões de páginas e encontrar padrões — enquanto os humanos se dedicam ao trabalho que exige discernimento e negociação.

A plataforma então constrói um sistema de recomendação que sugere conexões e histórias aos usuários. Para a empresa, o produto final não é apenas o acesso ao dado bruto, mas a "descoberta mágica" que ele pode proporcionar. É a transformação de um arquivo empoeirado em uma narrativa pessoal que sustenta o negócio.

Este modelo de colaboração homem-máquina para extrair valor de dados históricos e não estruturados oferece uma aplicação concreta e de alto valor para a IA, muito além da automação de tarefas rotineiras ou da geração de texto genérico.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Fast Company