Em um raro alinhamento estratégico, os comandos da NBA e da NFL no Brasil declararam o país como um mercado prioritário para a expansão global. Durante um painel na Expert XP, executivos das duas maiores ligas esportivas americanas revelaram que o Brasil já figura entre os cinco maiores mercados da NBA e é a principal aposta de crescimento internacional da NFL a longo prazo.
A tese central, no entanto, vai além da simples exportação de uma modalidade. A verdadeira competição, segundo os executivos, não é entre o basquete e o futebol americano. “Todos nós estamos competindo pela atenção das pessoas em qualquer tipo de entretenimento”, afirmou Fabio Laudisio, vice-presidente de Parcerias de Marketing da NBA, em declaração que redefine o campo de batalha. O adversário é o cinema, o parque, o streaming — qualquer atividade que dispute o tempo e o orçamento de lazer do consumidor.
A tese do 'entretenimento total'
O movimento das ligas americanas representa uma maturação do conceito de sportstainment. A estratégia deixa de ser apenas sobre transmitir jogos e passa a ser sobre construir ecossistemas de engajamento. Para a NBA, isso se traduz em um tripé: inovação, com projetos como a NBA House e escolas de basquete; exposição de patrocinadores locais, integrando a marca ao mercado brasileiro; e, crucialmente, capacidade de execução. “O papel aceita tudo”, pontuou Laudisio, ressaltando a distância entre um plano e sua implementação bem-sucedida.
Essa abordagem reconhece que o fã moderno é multifacetado. Como apontou Luiz Martinez, diretor-geral da NFL no Brasil, é preciso criar pontos de contato para diferentes perfis. Para o fã casual, existem as watch parties com foco na socialização. Para o aficionado por estatísticas, há os fantasy games e conteúdo aprofundado. A lógica é criar um cardápio de experiências em torno da marca, não apenas do esporte em si.
O desafio da 'tradução' cultural
Se a NBA já se beneficia de um esporte mais globalizado, a NFL enfrenta um desafio adicional: a necessidade de “educar” parte do público sobre as complexidades do futebol americano. A aposta para acelerar essa curva de aprendizado é alta e concreta: a realização de um jogo da temporada regular no Maracanã em setembro, com um acordo que prevê mais partidas nos próximos anos.
Este investimento massivo sinaliza a seriedade da estratégia. Enquanto a NBA, com uma base mais consolidada, descreve um jogo no Brasil como um “grande sonho” ainda sem data, a NFL usa o evento como uma ferramenta de penetração de mercado. A internacionalização, com jogos oficiais fora dos EUA, tornou-se uma política oficial para ambas as ligas, que enxergam no exterior a principal fronteira para o crescimento de suas receitas e relevância.
O avanço das ligas americanas no Brasil não é apenas uma história sobre esporte. É um capítulo sobre a globalização do entretenimento e a disputa por uma das commodities mais escassas da economia digital: a atenção do consumidor. A questão não é se elas vão crescer, mas como sua presença irá reconfigurar o cenário de mídia e lazer no país, desafiando players locais, de clubes de futebol a produtoras de conteúdo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





