José Luis Gómez Pardo, CEO da Nixval, destaca o papel de seu centro de dados em Valência como um ponto crucial para a interconexão de redes na região leste da Espanha. Operando há quase duas décadas, a Nixval se define como um centro de dados "neutro", um conceito que Gómez Pardo explica como o fornecimento de um espaço onde diferentes provedores de internet podem se encontrar e interligar suas redes. Essa neutralidade é fundamental para a existência da internet, que se baseia na interconexão entre diversas redes. A Nixval se posiciona como referência na Comunidade Valenciana, garantindo que o tráfego gerado na região possa ser trocado localmente, o que aumenta a resiliência da infraestrutura digital local. Em cenários de catástrofes, como apagões ou eventos climáticos extremos que afetem as redes de longa distância, a existência de um ponto de intercâmbio de tráfego local se torna vital para a continuidade dos serviços.
Gómez Pardo utiliza a analogia dos aeroportos para ilustrar o valor dos centros de dados neutros. Assim como um aeroporto não é dono das aeronaves nem vende passagens, mas facilita a infraestrutura para o trânsito aéreo, um centro de dados neutro provê a infraestrutura para a troca de tráfego de dados. A diversidade geográfica de tais centros, assim como a de aeroportos regionais, permite mais voos diretos, reduzindo custos e tempo de trânsito. Essa visão local e focada em eficiência contrasta com o cenário global dos centros de dados, especialmente com o recente boom impulsionado pela inteligência artificial (IA). O texto original menciona que as grandes tecnológicas americanas gastarão cerca de US$ 900 bilhões este ano com infraestrutura de IA, evidenciando o investimento massivo e o custo crescente associado a essa tecnologia.
O modelo da Nixval também dialoga com o debate sobre soberania tecnológica na União Europeia. Gómez Pardo defende a necessidade de centros de dados em todos os países europeus, controlados por capital local ou estatal, e, idealmente, utilizando tecnologia desenvolvida na própria Europa. Essa busca por autonomia tecnológica se alinha com a ideia de que a infraestrutura digital crítica, assim como os dados que nela residem, não deve depender excessivamente de potências estrangeiras. A dependência de infraestruturas e tecnologias de fora da UE é vista como um risco, comparável à dependência de outros países para o controle do espaço aéreo nacional.
A discussão sobre centros de dados ganha contornos políticos e ambientais. O texto original aponta que, embora a existência dos data centers anteceda a IA, seu auge recente os atrelou à tecnologia. A alta demanda por computação dos Large Language Models (LLMs) levou à proliferação global de centros de dados, com a Espanha abrigando mais de cem unidades, totalizando 2,9 GW de potência. Essa expansão levanta preocupações sobre o consumo energético e o impacto ambiental, além de gerar ceticismo em comunidades locais e grupos políticos devido à baixa intensidade de mão de obra e ao alto consumo de energia. A instrumentalização política desses centros de dados reflete uma disputa confusa sobre seus benefícios e impactos reais na sociedade.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Xataka





