A segurança da informação deixou de ser um item relegado ao fim da lista de prioridades da TI no Brasil. Segundo um estudo recente da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES) em parceria com a IDC, a segurança tornou-se a principal iniciativa estratégica para 46% das empresas do país — um patamar treze pontos percentuais acima da média latino-americana.
O dado reflete uma mudança de mentalidade fundamental. Em um cenário de migração acelerada para a nuvem, adoção de inteligência artificial generativa e proliferação de integrações via API, a superfície de ataque se expande na mesma proporção da inovação. A leitura aqui é que a segurança deixou de ser uma apólice de seguro para se tornar a fundação sobre a qual novas tecnologias podem ser adotadas com responsabilidade.
De apólice a alicerce
Por anos, o investimento em segurança foi visto como um custo defensivo, uma barreira necessária. Hoje, ele se tornou a condição de operação. O estudo aponta que os aportes em hardware e software de segurança crescem a um ritmo de 19,2% ao ano no Brasil, com foco em gestão unificada de ameaças e proteção de endpoints. Não se trata apenas de evitar o pior, mas de viabilizar o melhor.
Cada novo agente de IA ou sistema conectado a dados sensíveis é um vetor de risco em potencial. As empresas que lideram o mercado parecem ter entendido que, para acelerar a inovação sem ampliar a vulnerabilidade, é preciso tratar a segurança como parte da arquitetura do negócio, e não como um remendo aplicado posteriormente. O investimento, portanto, é a infraestrutura que permite ousar.
A governança como motor
Parte dessa maturidade tem origem regulatória. A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD) forçou as empresas a criarem uma cultura de conformidade que agora se estende à governança de novas tecnologias. O fenômeno da “Shadow AI” — o uso não autorizado de ferramentas de IA por funcionários — está sendo combatido com políticas internas claras, uma consequência direta dessa nova postura.
A segurança, nesse contexto, converte-se em um indicador de maturidade digital. Em vez de frear o avanço, ela o organiza e o torna sustentável. O recado para as lideranças é que a decisão sobre segurança não é mais técnica, mas estratégica e indelegável.
As organizações que internalizam essa visão transformam um centro de custo em vantagem competitiva. A confiança gerada por um ambiente seguro permite mover-se mais rápido e de forma mais ambiciosa. Num mundo redefinido pela IA, proteger ativos digitais não é mais a parte burocrática da transformação; tornou-se o seu ponto de partida.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · TIInside

