O cenário artístico de Londres está passando por uma transformação, impulsionada por uma nova geração de profissionais que desafiam as convenções. Longe do estereótipo de glamour superficial, essas galeristas trazem uma mistura de pragmatismo, paixão pela arte e uma abordagem inovadora para um setor cada vez mais competitivo e vulnerável.

Essas jovens mulheres, atuando em galerias de renome e em espaços independentes, demonstram uma dedicação que vai além dos eventos sociais. Elas estão envolvidas em todas as etapas, desde a gestão de artistas e projetos até a curadoria e comunicação, muitas vezes operando a partir de espaços criativos e adaptáveis. A reportagem do i-D destaca Mathilde Labuthie, da Emalin, que valoriza a empatia e a resiliência, enquanto Millie Barretta, Sahaya James e Kirsten Franks, da Chisenhale, enfatizam a importância de amar tanto a arte quanto o 'jogo' do mercado. Elas sugerem estratégias de sobrevivência que incluem desde a construção de tolerância à ostentação até a manutenção de um bom equilíbrio com a bebida em eventos.

A abordagem dessas galeristas é marcada por uma compreensão profunda do mercado e uma capacidade de adaptação notável. Niina Ulfsak e Christina Hjortlund, da Galerina, ressaltam a necessidade de conhecimento técnico, indo além da apreciação estética. Meli Ulkumen Ardila, da Arcadia Missa, e Kaitlyn Mhereza, da Ginny on Frederick, exemplificam essa versatilidade, com Mhereza descrevendo sua galeria como um 'ex-garagem' e enfatizando a disposição para 'ir à inauguração de um envelope'. A criatividade e a autenticidade são pilares, como demonstrado por Maria Chernobay e Diana Berezhnenko, da Pivot, que definem sua galeria como 'amorosa, graciosa, real' e aconselham a não ouvir a opinião alheia.

Essas profissionais não apenas administram espaços, mas também impulsionam novas ideias e perspectivas. Elas trazem um olhar crítico sobre o que consideram os maiores 'golpes' do mercado — como feiras de arte e estágios não remunerados — e defendem a superioridade da sensibilidade feminina, seja pela empatia básica ou pela sutileza. A elas, a arte contemporânea deve não apenas sua sustentabilidade em tempos difíceis, mas também sua capacidade de se reinventar e permanecer relevante para novas audiências. A resiliência e a inovação dessas galeristas prometem moldar o futuro do setor em Londres e além.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · i-D