A carreira de assessor de investimentos no Brasil tem atraído profissionais de trajetórias cada vez mais diversas, impulsionada por um crescimento expressivo no número de credenciados. Em uma década, o contingente saltou de pouco mais de 4.500 para cerca de 27.700 profissionais, segundo dados da ANCORD. Essa expansão abre espaço para talentos com formações variadas, como Física, engenharia e vasta experiência no mercado financeiro.

Guilherme Bassani, que antes lecionava Física, Gustavo Sanches, vindo de engenharia mecânica e Sales Ops, e Hebert Erick Martins, com mais de 15 anos no setor bancário, são exemplos dessa nova leva de assessores que iniciaram suas atuações em 2024. Apesar de partirem de pontos distintos, todos compartilham aprendizados cruciais: a importância da preparação técnica, a necessidade de construir relacionamentos sólidos e a capacidade de ajustar a rota conforme a jornada avança.

O Caminho da Certificação e a Base Técnica

A jornada para se tornar um assessor de investimentos começa, invariavelmente, com a certificação ANCORD. Para os três profissionais, a preparação para o exame foi um divisor de águas. Gustavo Sanches destaca a organização do conteúdo e as aulas de resolução de exercícios como fatores decisivos para sua aprovação rápida. "O conteúdo organizado e as aulas de resolução de exercícios me deram muita vantagem", relata.

Guilherme Bassani corrobora essa visão, ressaltando que o estudo direcionado permitiu otimizar o tempo, focando nos temas essenciais cobrados na prova. Hebert Erick Martins, embora já familiarizado com o mercado financeiro, viu na certificação uma oportunidade de aprofundar o entendimento sobre as nuances da atuação do assessor e as competências requeridas para a função. Em 2025, a ANCORD registrou 8.388 exames, com 3.826 aprovações, evidenciando a seletividade e a importância da etapa. Para além da aprovação, contudo, a certificação é vista como o ponto de partida para uma carreira que exige conhecimento técnico contínuo, construção de confiança e relacionamento interpessoal.

Da Teoria à Prática: Construindo Relacionamentos e Carteiras

A transição para a rotina prática de assessoria trouxe uma nova dimensão para os profissionais recém-chegados, especialmente para aqueles vindos de áreas não financeiras. A necessidade de desenvolver relacionamentos e construir uma base de clientes tornou-se central. Guilherme Bassani, que já superou R$ 3,5 milhões em captação líquida, atribui parte de seu sucesso à capacidade de aprender com cada interação e adaptar sua estratégia. Ele enfatiza que os "nãos" são parte inerente do processo de aprendizado, resumindo sua filosofia: "Persistir é diferente de insistir. Ao insistir, repetimos os erros. Ao persistir, erramos, aprendemos e corrigimos a rota para tentar de novo."

Gustavo Sanches também alcançou o primeiro milhão captado mais rapidamente do que o esperado, fruto de planejamento, consistência e execução. A experiência de ambos demonstra que a construção de uma carteira de clientes é um processo progressivo, que demanda uma combinação de estratégia comercial, conhecimento de mercado e um forte relacionamento com os clientes. A mensagem é clara: é preciso ter um bom plano e seguir com resiliência.

A Experiência Prévia como Diferencial

Para Hebert Erick Martins, a migração para a assessoria após mais de 15 anos em grandes bancos como Santander e Itaú representou a busca por maior autonomia e uma atuação mais consultiva. Sua carteira já ultrapassa R$ 30 milhões sob assessoria. A transição, embora desafiadora, permitiu que ele adaptasse sua abordagem comercial e lidasse com diferentes percepções de mercado. Sua experiência anterior no setor financeiro tornou-se um diferencial valioso, facilitando a construção de relacionamentos e a compreensão das necessidades dos clientes.

Além disso, Hebert destaca a conquista de autonomia, que se traduz em um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal. A trajetória de Hebert ilustra como competências desenvolvidas ao longo de carreiras distintas — especialmente o conhecimento de mercado, a habilidade de relacionamento e a capacidade de entender as necessidades do cliente — podem ser alavancadas na assessoria de investimentos.

Lições para o Futuro e Perguntas em Aberto

As trajetórias de Guilherme, Gustavo e Hebert, embora distintas, convergem em pontos essenciais para o sucesso na assessoria: conhecimento técnico, disciplina, capacidade comercial, habilidade de relacionamento e uma constante disposição para aprender. A certificação é apenas o primeiro passo; a prática exige a transformação do conhecimento em confiança e a adaptação às particularidades de cada cliente.

Os primeiros meses na profissão podem demandar adaptação, mas os aprendizados adquiridos são fundamentais para a evolução da carreira. Guilherme encontrou na persistência a ferramenta para refinar sua estratégia, Gustavo descobriu que planejamento e execução aceleram resultados, e Hebert capitalizou sua experiência e autonomia para uma atuação mais consultiva. Para quem considera essa carreira, a XP Educação oferece um preparatório gratuito para a certificação ANCORD, com recursos como aulas gravadas e ao vivo, simulados e exercícios comentados. A diversidade de formações e trajetórias que encontram espaço na assessoria reforça a ideia de que não há um perfil único para iniciar, desde que haja preparação e dedicação à construção de relacionamentos consistentes.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · InfoMoney