Paul Griggs, o CEO da PwC para os Estados Unidos, não está apenas incentivando suas equipes a usarem inteligência artificial — ele integrou a tecnologia de forma visceral em sua própria rotina. O executivo revelou ter construído um agente de IA personalizado, apelidado de “PG’s Whisperer” (ou “o sussurrador de PG”), que o acompanha durante todo o dia de trabalho. A ferramenta, que Griggs usa há cerca de um ano, foi criada a partir de dois modelos de IA distintos, cujos nomes ele prefere não divulgar.

A iniciativa, conforme reportado pelo Business Insider, sinaliza uma mudança fundamental na forma como a alta liderança interage com a IA. Não se trata mais de uma ferramenta delegada a analistas para ganho de produtividade, mas de um copiloto estratégico para o próprio C-Suite. O uso que Griggs faz do seu “sussurrador” vai muito além de tarefas simples, demonstrando a profundidade da integração da tecnologia no processo decisório.

Um copiloto para o C-Suite

O executivo afirma usar a ferramenta “o dia todo”, comparando as respostas dos dois modelos para obter uma visão mais robusta. As aplicações são estratégicas: revisar documentos extensos, confrontar ideias com notícias recentes e, crucialmente, “testar sob pressão” o trabalho de estratégia da firma. Segundo ele, a IA permite avaliar informações a uma velocidade “simplesmente impossível antes”.

O aspecto mais revelador, no entanto, é o uso da ferramenta como um confidente crítico. Griggs alimenta o sistema com rascunhos de discursos e mensagens, pedindo feedback direto, com perguntas tão francas quanto: “Isto está ruim ou não?”. O objetivo é garantir que a mensagem principal esteja clara e ressonante. O nome “sussurrador” não é acidental; sugere um conselheiro discreto e de confiança, uma função antes reservada a um círculo restrito de assessores humanos.

O sinal para o mercado

O exemplo de Griggs, vindo do topo de uma das “Big Four”, estabelece um novo padrão para a liderança na era da IA. A mensagem é clara: para liderar a transformação, é preciso vivê-la. A pressão sobre outros executivos para irem além de apenas endossar a tecnologia, e de fato dominá-la, aumenta consideravelmente. O caso ilustra o que pode ser uma “liderança IA-nativa”.

Curiosamente, a criação do assistente não partiu de uma diretriz corporativa, mas de um “empurrão” de um colega da área de tecnologia da PwC, que lhe enviou as instruções por mensagem de texto. O detalhe desmistifica o processo e reforça a importância de uma cultura de experimentação que permeie todos os níveis da organização. A inovação, aqui, fluiu de forma orgânica, não hierárquica.

O movimento de Griggs antecipa um futuro em que a questão não é mais se os líderes usarão IA, mas como o farão. Sua abordagem — pessoal, iterativa e profundamente integrada ao fluxo de trabalho estratégico — oferece um roteiro. O “sussurrador” no C-Suite pode deixar de ser uma curiosidade para se tornar o novo padrão, transformando não apenas a produtividade, mas a própria natureza da tomada de decisão corporativa.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider