O outono nova-iorquino, com suas folhas caindo e a promessa de um inverno que se aproxima, parece ser o cenário perfeito para revisitar o cinema que nos fala de partidas e chegadas. Em Brooklyn, o Light Industry se prepara para uma série de eventos que mergulham em diferentes facetas da sétima arte. A programação começa com uma homenagem aos westerns "de margem", aqueles filmes de baixo orçamento que, apesar de periféricos, foram a base sobre a qual o cinema americano foi construído. O quarto número da publicação The Western: From B-Z, que acompanha a mostra, celebra "cowboys com armas em punho no backlot", um convite a redescobrir a força popular e, ao mesmo tempo, esquecida dessas produções.

O peso das despedidas e a saudade do retorno

Paralelamente, outra mostra no Theater of the Matters e Archipelago Books celebra o cinema de Víctor Gaviria, amigo e aluno de Luis Alberto Álvarez, um padre claretiano e crítico de cinema colombiano. Álvarez defendia um "cinema autêntico, regional, enraizado no lugar, nas pessoas e na língua do país", com foco nas comunidades pobres e na juventude das ruas. A programação "Love Is Strong as Death: The Antioquian Cinema of Luis Alberto Álvarez and Víctor Gaviria" promete mergulhar nessa visão cinematográfica, onde as despedidas de um lugar ou de uma realidade podem ser o prelúdio para um retorno transformado. A obra de James Gray, descrita por Charles Taylor como "o menos celebrado cineasta americano importante em atividade", também ecoa essa temática. Seus filmes, segundo Taylor, "podem ser vistos como uma série de despedidas e retornos, onde a partida nunca garante liberdade e a chegada é tanto armadilha quanto santuário". A ideia de "leave-takings and homecomings" permeia a filmografia de Gray, sugerindo que o movimento entre ir e vir é uma constante na experiência humana.

A ficção científica e o western como espelhos da condição humana

Em Michigan, a programação se volta para o trabalho de Kevin Jerome Everson, cujos filmes exploram uma vasta gama de temas, desde histórias familiares intergeracionais e a indústria automobilística até a migração e o trabalho. A instalação "Gises" e o dossiê "Clocking Time" por Yasmina Price oferecem um olhar aprofundado sobre a obra de Everson, que transita por "atividades não-eventos, audições e ensaios, artefatos da mídia, produção clandestina de álcool e escalada de postes telefônicos". A menção a Stanley Kubrick e seu "2001: Uma Odisseia no Espaço" (1968) no início da matéria original, embora breve, é um lembrete da capacidade da ficção científica de nos fazer refletir sobre a partida – a nossa da Terra, a de HAL 9000 de sua programação. Essa partida, ou expulsão, é um dos momentos mais icônicos do cinema, um prenúncio de solidão e autoconsciência. O western, por sua vez, com seus heróis solitários em jornadas muitas vezes sem volta, também explora a dualidade entre a liberdade da estrada aberta e a inevitabilidade de um destino, seja ele um retorno à cidade ou um último confronto.

Os ecos de Hollywood e a busca por autenticidade

A crítica de Axelle Ropert sobre atores divididos em "sete famílias", como "Os Cegos" (Henry Fonda, Christopher Walken) e "Os Ressuscitados" (Robert Taylor, Sterling Hayden), publicada na "La Lettre du Cinéma", adiciona uma camada metalinguística à discussão. Ao categorizar atores, Ropert nos convida a pensar sobre os arquétipos que eles representam e como esses arquétipos se encaixam em narrativas de partida e retorno. A menção a George Sanders como Addison DeWitt em "All About Eve" e a Jeanne Crain em "The Fan" ilustra o poder de certos atores em encarnar o dilema do personagem, muitas vezes em momentos cruciais de decisão entre seguir em frente ou voltar atrás. A programação "Lush Themes from Motion Pictures: Film Music and Easy Listening, 1955–1975" no Light Industry, com seu título sugestivo, promete explorar a trilha sonora dessas jornadas, a música que embala tanto a despedida quanto o reencontro, o êxodo e a volta ao lar.

O que resta quando a tela escurece?

O cinema, em suas diversas formas e manifestações, continua a nos oferecer espelhos para nossas próprias experiências de ir e vir. Seja na vastidão do espaço, nas poeiras de um velho oeste ou nas ruas de uma Colômbia distante, as histórias de partida e retorno nos tocam profundamente. Elas nos lembram que cada adeus carrega em si a semente de um possível reencontro, e que cada volta pode ser o início de uma nova partida. A programação cultural que se desenrola nas próximas semanas nos convida a ponderar sobre esses movimentos, a buscar em cada filme um reflexo de nossas próprias jornadas e a questionar o que realmente significa estar em casa, ou o que nos impulsiona a deixar tudo para trás.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Criterion Daily