A era da busca por imóveis definida por uma grade de filtros — bairro, número de quartos, faixa de preço — está sendo substituída por uma nova abordagem: a conversa. Grandes plataformas do mercado brasileiro, como QuintoAndar e o Grupo OLX, dono dos portais ZAP Imóveis e Viva Real, estão na vanguarda dessa transição, implementando interfaces de inteligência artificial que permitem ao usuário simplesmente descrever o que procura.
O movimento sinaliza uma mudança fundamental na experiência do cliente. Sai a interação rígida e técnica, entra um diálogo que busca capturar nuances que os filtros não alcançam, como “apartamento silencioso” ou “com boa iluminação natural”. A tese editorial aqui é que a competição no setor de proptechs deixa de ser primariamente sobre o volume de anúncios para se tornar uma disputa pela capacidade de interpretar a intenção do consumidor com precisão.
A morte dos filtros?
A principal dor que a IA conversacional se propõe a resolver é o excesso de informação e a baixa assertividade das buscas tradicionais. Um levantamento do DataZAP, braço de inteligência do Grupo OLX, aponta que oito em cada dez usuários já utilizam ou veem valor na IA para encontrar imóveis. Segundo a pesquisa, 80% dos locatários e 77% dos compradores afirmam que a tecnologia agrega valor na etapa de descoberta e curadoria, economizando tempo.
Essa corrida tecnológica não é um fenômeno local. Em março, o QuintoAndar integrou sua busca ao ChatGPT, após lançar uma função conversacional própria no ano anterior. O movimento espelha o que já acontece em mercados internacionais, com gigantes como Zillow e Realtor.com adotando estratégias similares. A lógica é simples: traduzir o desejo humano, muitas vezes subjetivo, em resultados de busca relevantes, uma tarefa onde os LLMs se destacam.
Mais conversas, mais negócios
Os primeiros resultados comerciais dessa aposta começam a aparecer. Segundo o Grupo OLX, usuários que interagem com a busca conversacional realizam o dobro de contatos com anunciantes em comparação com quem usa apenas os filtros. A leitura é que a curadoria mais refinada da IA entrega leads mais qualificados, aumentando a probabilidade de a conversa evoluir para uma negociação e beneficiando todo o ecossistema.
A automação também otimiza o atendimento. Cerca de 60% dos contatos com corretores, segundo a empresa, ocorrem fora do horário comercial. Assistentes virtuais, como a Izi, do Grupo OLX, respondem a dúvidas básicas via WhatsApp em segundos, um processo que antes podia levar dias. De acordo com a companhia, 25% desses contatos automatizados evoluem para agendamentos de visitas, demonstrando o potencial da IA para destravar gargalos operacionais.
Embora a tecnologia assuma tarefas de triagem e qualificação, o papel do corretor humano permanece central. A negociação de valores, a análise de documentos e o fechamento do contrato ainda dependem da expertise e da interação pessoal. A IA, portanto, não surge como uma substituta, mas como uma ferramenta de alavancagem, permitindo que os profissionais foquem em atividades de maior valor. A disputa entre as plataformas se desloca do inventário para a inteligência.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





