O preço do diesel nos Estados Unidos está a um passo de quebrar seu recorde histórico. Com o valor médio nacional em US$ 5,62 por galão, faltam apenas 20 centavos para atingir o pico de maio de 2022. A alta, no entanto, é mais do que um número no painel do posto de combustível; é um sintoma de tensões geopolíticas e logísticas que se propagam por toda a economia global.
A leitura é que uma convergência de fatores, desde a guerra na Ucrânia até gargalos marítimos no Oriente Médio, está estrangulando a oferta do combustível essencial para o transporte de mercadorias. O impacto, segundo reportagem do site The Drive, já é sentido do campo às estradas, e serve como um termômetro da fragilidade da cadeia de suprimentos mundial.
A geopolítica na bomba de combustível
Duas frentes principais explicam a pressão sobre a oferta. A primeira é a Rússia, que, segundo a agência Reuters, pode estender sua proibição de exportação de combustíveis. A medida é consequência de ataques de drones ucranianos que danificaram significativamente suas refinarias, limitando a capacidade de produção do segundo maior exportador de combustíveis do mundo.
Simultaneamente, o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, um dos pontos mais críticos para o transporte de petróleo e derivados, está severamente restrito. O número de navios que atravessam o estreito diariamente caiu de uma média de 100 para menos de dez. Com a demanda global inalterada, esse duplo gargalo — um na produção, outro na distribuição — torna o diesel disponível inevitavelmente mais caro.
A conta chega à economia real
O efeito cascata é imediato e oneroso. Para os agricultores americanos, o diesel representa de 3% a 5% dos custos de produção de culturas como trigo e milho, segundo dados da Axios. Antes mesmo de o produto ser transportado, seu custo de origem já sobe.
Nas estradas, o impacto é ainda mais direto. Caminhoneiros pagam, em média, US$ 1,94 a mais por galão do que há um ano. Para um caminhão com tanques de 200 galões (cerca de 750 litros), isso significa um custo adicional de quase US$ 400 a cada abastecimento completo. A conta final afeta o frete de praticamente tudo o que é consumido.
A proximidade do recorde de preço não é apenas uma estatística. Funciona como um indicador da saúde da logística global e um prenúncio de pressões inflacionárias persistentes. Quando a energia para mover a economia fica mais cara, a conta, invariavelmente, é distribuída por toda a cadeia.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Drive




