Em um parque residencial de Brookline, Massachusetts, uma elegante cocheira de 1889 guarda não apenas veículos, mas um fragmento congelado da história. Ali funciona o Larz Anderson Auto Museum, lar da mais antiga coleção de automóveis dos Estados Unidos, um acervo que remonta aos primórdios da motorização.
A coleção é o legado do diplomata americano Larz Anderson e de sua esposa, Isabel Weld Perkins, uma herdeira de Boston que, em 1881, recebeu uma fortuna de seu avô, o magnata do transporte marítimo William Fletcher Weld. Juntos, o casal cultivou um gosto pelo luxo e, principalmente, pelos automóveis, que começavam a surgir como símbolos de status e inovação. A história do museu é a crônica de como essa paixão privada se transformou em um patrimônio público.
Da paixão pessoal ao patrimônio público
Entre 1899 e 1937, ano da morte de Larz, o casal adquiriu 32 carros, além de carruagens e trenós, com o hábito de comprar um novo modelo a cada ano. Após o falecimento do marido, Isabel leiloou parte da coleção, mas preservou o núcleo de 14 veículos, que hoje formam o coração do museu. A instituição foi formalmente estabelecida em 1948, após a morte dela, cumprindo o desejo do casal de compartilhar seu acervo, que já era exibido ao público desde 1927.
O que torna a coleção tão singular não é seu tamanho, mas sua autenticidade. Os carros, incluindo um Winton Phaeton de 1899 e um Electromobile de 1905, nunca foram restaurados. São, como descreve a reportagem original do Atlas Obscura, verdadeiras cápsulas do tempo. Cada veículo oferece um olhar direto, sem filtros, sobre a engenharia, o design e a tecnologia do início do século XX, com vários exemplares sendo os últimos de seu tipo no mundo.
Hoje, o museu continua a expandir seu acervo, mas sua relevância permanece ancorada naqueles 14 carros originais. Eles contam uma história que vai além da mecânica: falam sobre a transição de uma sociedade movida a tração animal para a era da velocidade, sobre a opulência da elite americana na virada do século e sobre como a obsessão de um casal pode, por fim, preservar a memória de todos.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Atlas Obscura





