O dólar opera em território positivo nesta terça-feira, consolidando-se acima do patamar de R$ 5,15. A variação, embora modesta, reflete um mercado de câmbio atento mais aos sinais externos do que à agenda doméstica, um padrão que tem se tornado recorrente.
Segundo a apuração do mercado, o movimento é creditado a uma combinação de fatores internacionais: a ampliação de sanções dos Estados Unidos contra o Irã e a contínua observação sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. A tese é que, no curto prazo, o humor global dita o ritmo do real.
Geopolítica e juros no comando
A decisão de Washington de endurecer as sanções contra Teerã injeta uma dose de aversão ao risco nos mercados globais. Em momentos de incerteza geopolítica, investidores tendem a buscar a segurança de ativos considerados mais sólidos, e o dólar é o principal deles. O alerta do Tesouro americano para que países cortem laços comerciais com o Irã sob pena de exclusão do sistema financeiro dolarizado reforça a centralidade da moeda.
Paralelamente, a dinâmica dos juros nos Estados Unidos segue como um vetor crucial. Qualquer movimento que sugira pressão sobre os rendimentos dos títulos de longo prazo do Tesouro americano tende a valorizar o dólar globalmente. Isso torna ativos em dólar mais atraentes e, por consequência, pressiona moedas de mercados emergentes como o Brasil, exigindo prêmios de risco mais altos para atrair capital.
No front doméstico, a atuação do Banco Central com leilões de swap cambial, como o agendado para a rolagem de vencimentos, serve como um contraponto para mitigar a volatilidade. Contudo, a leitura é que, enquanto o cenário externo permanecer carregado, o mercado de câmbio local continuará operando em modo reativo, com a bússola apontada para o exterior.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · InfoMoney





