Em 12 de agosto de 2026, o Reino Unido testemunhará seu mais espetacular eclipse solar em mais de uma década. O fenômeno, no entanto, carrega uma dose de ironia cósmica: enquanto milhões de britânicos verão o sol ser obscurecido em mais de 90%, a escuridão total passará ao largo, cruzando o Atlântico da Islândia ao norte da Espanha.
Para os habitantes das ilhas britânicas, será o eclipse parcial mais profundo desde março de 2015. A totalidade, segundo reportagem do site Space.com, só retornará à região em 23 de setembro de 2090. O evento de 2026 serve, portanto, como um lembrete da precisão e indiferença da mecânica celeste — um espetáculo grandioso, porém incompleto, para a maior parte do continente europeu.
Um espetáculo no crepúsculo
A experiência de observação será singular. O eclipse ocorrerá no final da tarde, com o pico de cobertura acontecendo por volta das 19h (horário local), quando o sol já estará baixo no horizonte oeste-noroeste. A imagem será a de uma fina crescente pairando sobre a paisagem, com as pontas voltadas para baixo. A escuridão total é exclusiva da faixa de totalidade, mas a luz do dia adquirirá uma qualidade visivelmente tênue e distinta, um efeito dramático por si só. Para uma visualização ideal, será crucial buscar um horizonte desobstruído, como em áreas costeiras, topos de colinas ou planícies abertas.
A abrangência do fenômeno é notável. Cidades como Londres, Manchester e Glasgow experimentarão uma cobertura de 91,4%, enquanto Belfast e Cardiff verão 93,1% e 93,2%, respectivamente. A diferença é sutil, tornando-o um evento nacional. O ponto máximo nas Ilhas Britânicas, contudo, será na Irlanda, onde a ilha de Great Skellig — cenário de filmes da saga Star Wars — terá 98% do sol coberto pela lua. A única variável, como bem sabem os caçadores de eclipses que se frustraram com o tempo nublado em Cornwall em 1999, é o imprevisível clima de agosto.
O contexto europeu e a década dos eclipses
Embora o foco esteja no Reino Unido, o evento de 2026 é um fenômeno de escala continental. A verdadeira atração para astrônomos e turistas será a faixa de totalidade, que proporcionará alguns minutos de escuridão completa na Islândia e, principalmente, no norte da Espanha, onde o clima de verão oferece maior probabilidade de céu limpo. Além disso, milhões de pessoas em países como França, Alemanha e Itália presenciarão um pôr do sol parcialmente eclipsado, uma oportunidade fotográfica única.
O que parece um evento isolado é, na verdade, o ápice de um período atipicamente movimentado para observadores no Reino Unido. A região está no meio de uma sequência de eclipses parciais visíveis quase anualmente até o final da década. Após o evento de 2026, haverá um eclipse parcial de 48% em agosto de 2027; outro de 56% ao pôr do sol em janeiro de 2028; um mais sutil ao nascer do sol em junho de 2029; e, finalmente, outro eclipse parcial ao nascer do sol em junho de 2030. Juntos, eles formam uma rara sequência para os entusiastas que não estarão presentes para a totalidade em 2090.
O eclipse de 2026 encapsula a beleza e a frustração da astronomia observacional. Para milhões, será uma visão inesquecível de uma fatia do sol desaparecendo no horizonte. Para os mais dedicados, é um convite para uma curta viagem à Espanha. De qualquer forma, o céu de agosto promete um espetáculo, seja ele completo ou parcial.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Space.com





