Um grupo de ciberespionagem associado ao governo da China, conhecido como Salt Typhoon, desenvolveu um novo malware e o implantou em redes de organizações de alto perfil em diversos países da América Latina desde, pelo menos, agosto de 2025. A campanha mira alvos em nações como Argentina, Equador, Guatemala, Panamá e Peru.
A análise, conduzida pela empresa de cibersegurança ESET e reportada pelo The Register, sugere que o movimento é menos sobre tecnologia e mais sobre geopolítica. A leitura é que a ofensiva digital representa uma reação de Pequim a uma reafirmação agressiva dos interesses dos Estados Unidos na América Latina, transformando o continente em um campo de batalha digital na disputa entre as duas superpotências.
O tabuleiro geopolítico
Segundo os pesquisadores da ESET, a mudança de foco do Salt Typhoon para a América Latina coincide com uma nova dinâmica política. A análise aponta que as atividades de espionagem visam ajudar a China a "monitorar e antecipar a reação dos governos locais às atuais pressões dos EUA".
O interesse chinês é pragmático: proteger investimentos de longo prazo cultivados na última década em setores estratégicos como energia, mineração e telecomunicações. A espionagem, nesse contexto, funciona como um instrumento para medir a temperatura política e recalcular rotas em um ambiente de crescente influência americana, garantindo que seus ativos e parcerias não sejam erodidos pela diplomacia de Washington.
A arma do ofício
Batizado de SparroWocky, o novo malware é um backdoor modular construído em C++, projetado para operar nas sombras. Sua arquitetura integra ferramentas de código aberto para se camuflar e utiliza técnicas avançadas para evadir a detecção por softwares de segurança, como antivírus. A comunicação com seus servidores de comando e controle é criptografada, dificultando o rastreamento.
Com quase 30 comandos distintos, o SparroWocky pode extrair arquivos, fazer capturas de tela, roubar credenciais de acesso e se autodeletar para não deixar rastros. A sofisticação da ferramenta indica um investimento significativo e reforça a tese de que se trata de uma operação com suporte estatal, não de um grupo criminoso comum.
O episódio serve como um alerta para governos e empresas da região. A presença do Salt Typhoon e do SparroWocky não é apenas uma ameaça técnica, mas um sinal claro de que a chamada "guerra fria digital" entre China e EUA já estabeleceu uma frente de batalha na América Latina. A questão que fica é como os players locais se posicionarão nesse tabuleiro cada vez mais complexo.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · The Register





