O G20, principal fórum de cooperação econômica global, acaba de expor sua mais profunda fratura. Em reunião em Asheville, na Carolina do Norte, os ministros das Finanças do grupo aprovaram uma declaração conjunta para coibir "distorções" e "práticas não mercadológicas" que levam a superávits comerciais excessivos. Apenas um país se opôs: a China.
O dissenso de Pequim transforma um comunicado técnico em um evento geopolítico. A decisão da maioria do G20, segundo reportagem do Money Times, é uma crítica velada, porém inequívoca, ao modelo de crescimento chinês, historicamente dependente de uma massiva plataforma de exportação. O racha sinaliza que a era do consenso na governança econômica global pode ter chegado ao fim.
O recado por trás da diplomacia
A linguagem do comunicado é diplomática, mas o alvo é claro. Ao mencionar a necessidade de "eliminar políticas e práticas não mercadológicas que agravam os desequilíbrios", os signatários apontam para os subsídios estatais, o controle cambial e as barreiras não tarifárias que, segundo críticos, sustentam a competitividade artificial das exportações chinesas. Para países como Estados Unidos e nações da União Europeia, esse modelo gera uma concorrência desleal e desindustrializa suas economias.
A recusa da China em endossar o texto é uma defesa de seu modelo soberano de desenvolvimento. Para Pequim, as regras propostas representam uma interferência em sua política econômica interna. A objeção formaliza uma divisão que vinha se acentuando há anos, colocando, de um lado, as economias de mercado ocidentais e, de outro, o capitalismo de Estado chinês.
O G20, que nasceu como um símbolo de coordenação após a crise de 2008, agora se torna um palco para a rivalidade estratégica. A questão que fica no ar não é se a China irá se adaptar, mas como as outras 19 economias reagirão à sua intransigência. O comunicado pode ser apenas o primeiro passo para medidas comerciais mais duras ou para a busca de cadeias de suprimentos que reduzam a dependência do gigante asiático.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





