Em um mercado obcecado com a adoção massiva de inteligência artificial, o conselho vindo da Anthropic, uma das principais desenvolvedoras de modelos de linguagem, soa contraintuitivo: a maior habilidade de um usuário de IA é saber quando não usá-la. A mensagem vem de Kristen Swanson, chefe de pesquisa em fluência de IA da companhia.

Segundo reportagem do Business Insider, Swanson argumenta que o uso indiscriminado da tecnologia pode gerar o que ela chama de "imposto do discernimento". A tese é que a verdadeira produtividade não está em delegar tudo, mas em desenvolver o julgamento para saber o que entregar à máquina e o que manter sob controle humano, uma habilidade cada vez mais crítica no ambiente de trabalho.

O custo da delegação

O conceito de "imposto do discernimento" é simples: em muitos casos, o esforço mental para avaliar, corrigir e refinar o que uma IA produz é maior do que o de realizar a tarefa do zero. Swanson aponta que julgar a qualidade de um texto ou análise "é o pensamento de mais alta ordem que se pode fazer. É exaustivo". Delegar uma análise de dados tediosa faz sentido; pedir a uma IA que escreva um post sobre um tema que você domina pode criar mais trabalho do que economia de tempo.

Além do custo cognitivo, há o risco inerente à tecnologia. Modelos de IA podem "alucinar" — inventar informações — especialmente sobre temas de nicho. Por outro lado, há o risco do "capability overhang": a tendência de os usuários manterem uma visão desatualizada sobre as capacidades da IA, baseada em experiências passadas, deixando de explorar novas funcionalidades à medida que os modelos evoluem.

A fluência em IA, portanto, não se mede em número de prompts ou ferramentas utilizadas. Trata-se de um processo contínuo de experimentação e calibração, onde o profissional aprende a internalizar essas decisões. Como resume Swanson, "mais IA não é sempre melhor. E mais IA não é, necessariamente, uma IA fluente".

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Business Insider