Em artigo de opinião publicado na Fortune, o CEO da Grayscale, Peter Mintzberg, oferece uma perspectiva que desafia a narrativa corrente do mercado de criptoativos. Com a recente alta do Bitcoin, muitos decretaram o fim do chamado “inverno cripto”. Para Mintzberg, no entanto, tanto as manchetes sobre quedas quanto as que celebram recuperações perdem o ponto principal.
A tese do executivo, que tem passagens por gigantes do mercado tradicional como BlackRock e Goldman Sachs, é que analistas e investidores estão excessivamente focados nas “árvores” — as oscilações de preço de curto prazo — e ignorando a “floresta”: a integração estrutural e de longo prazo dos ativos digitais ao sistema financeiro global.
A floresta, não as árvores
Mintzberg argumenta que a verdadeira força motriz por trás da classe de ativos hoje vem de duas correntes principais: a crescente demanda institucional e a ampla adoção corporativa da tecnologia blockchain. Ele aponta que os fluxos diários para os ETFs de Bitcoin à vista nos EUA superaram regularmente US$ 500 milhões em 2025, um volume que transforma a dinâmica de oferta e demanda do ativo. Mesmo com as quedas recentes, o interesse institucional parece resiliente, com as retrações sendo materialmente menos severas que os declínios de 70% a 80% que definiram invernos cripto anteriores.
Do lado corporativo, a mudança é menos visível, mas igualmente fundamental. Mintzberg cita que cerca de 60% dos executivos da Fortune 500 relataram em 2025 que suas companhias trabalham em iniciativas de blockchain. Empresas como Fidelity, Visa e Stripe avançam com projetos de stablecoins. Para o CEO da Grayscale, essas são decisões de infraestrutura, movidas por convicção na utilidade da tecnologia, não por sentimento especulativo.
Infraestrutura para a próxima década
Olhando para o futuro, Mintzberg refuta a noção de que a inteligência artificial e os ativos digitais são teses de investimento conflitantes. Ele as vê como tecnologias complementares. Agentes de IA, por exemplo, demandarão um sistema financeiro com capacidades que as blockchains são singularmente equipadas para fornecer, como micropagamentos nativos de máquina e liquidação transfronteiriça instantânea. A descentralização também pode servir como um contraponto aos riscos de controle e viés em IAs centralizadas.
Este movimento de integração é acelerado pela crescente clareza regulatória. À medida que as regras se tornam mais definidas, comitês de investimento de instituições mais conservadoras ganham as ferramentas de governança necessárias para avaliar e alocar capital em ativos digitais ao lado de outras exposições de portfólio de longo prazo.
A mensagem de Mintzberg é um chamado para que o mercado ajuste seu foco. Enquanto a volatilidade gera manchetes, a transformação real estaria acontecendo nos departamentos de TI e nas mesas de alocação de capital de Wall Street. O sinal, segundo ele, está na infraestrutura que está sendo construída. O resto é apenas ruído.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Fortune





