O mercado brasileiro de fusões e aquisições (M&A) mostra um comportamento paradoxal em 2022. Até agosto, foram registradas 834 transações que, somadas, movimentaram R$ 210,7 bilhões. Os números, compilados pela TTR Data e reportados pela Forbes Espanha, revelam uma queda de 31% na quantidade de operações em relação ao mesmo período do ano anterior, mas um aumento de 11% no capital total envolvido.
Essa dissociação entre volume e valor aponta para uma tese central: o mercado está passando por uma fase de consolidação com cheques mais altos, em detrimento da pulverização de negócios menores que marcou os últimos anos. A era da alta frequência parece dar lugar a movimentos mais estratégicos e de maior impacto financeiro.
Qualidade sobre quantidade
A análise setorial reforça essa leitura. O segmento de Internet, Software e TI, o mais ativo com 140 transações, continua sendo um motor de negócios. No entanto, o arrefecimento é visível em outras frentes. O número de rodadas de venture capital, por exemplo, caiu 46%, com 134 aportes que somaram R$ 8 bilhões. Esse dado sugere que a correção no ecossistema de startups contribui para a queda geral no volume de operações, enquanto as grandes consolidações corporativas puxam o valor para cima.
No cenário internacional, o capital estratégico mantém seu fluxo. Os Estados Unidos lideram como principal origem de investimentos no Brasil, com 87 operações. Na outra ponta, empresas brasileiras também buscaram expansão lá fora, com os EUA e a Colômbia sendo os destinos preferidos, com 11 e 7 negócios, respectivamente. Isso indica uma via de mão dupla, onde o Brasil é tanto um alvo para consolidação quanto uma plataforma para a expansão de players locais.
O quadro pintado pelos dados da TTR Data é o de um mercado mais seletivo e maduro. O apetite por risco em estágios iniciais diminuiu, mas o capital para aquisições estratégicas e de grande porte permanece robusto. A questão que fica para o restante do ano é se essa tendência de “menos negócios, mais valor” se consolidará como o novo normal para o M&A no país.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





