O envelhecimento populacional está se acelerando, mas não onde a maioria espera. Até 2040, o crescimento mais rápido da população com 65 anos ou mais ocorrerá em países hoje considerados jovens, como Arábia Saudita, Malásia e Vietnã. Nações já envelhecidas, como o Japão, verão um crescimento muito mais lento. A projeção, baseada em dados da ONU analisados pelo Fórum Econômico Mundial, foi compilada em uma reportagem do Visual Capitalist.
A inversão da lógica convencional sinaliza que a transição demográfica tornou-se um fenômeno global e acelerado. O desafio de sustentar uma sociedade com mais idosos deixa de ser uma preocupação exclusiva de economias desenvolvidas e passa a ser uma pauta urgente para o mundo emergente, incluindo o Brasil, que terá de adaptar suas estruturas sociais e econômicas em tempo recorde.
A matemática da transição
A explicação para essa tendência reside na velocidade da mudança, e não no estágio final dela. Países como o Japão, cuja população sênior deve crescer apenas 7% até 2040, já passaram pelo pico de sua transição demográfica. Por outro lado, a Arábia Saudita, com uma idade mediana de apenas 29,6 anos, verá sua população idosa mais que dobrar (115%) no mesmo período. O motivo é a combinação de queda acentuada nas taxas de fertilidade e aumento da expectativa de vida, fazendo com que o número de idosos cresça rapidamente a partir de uma base pequena.
O Brasil se encaixa nesse grupo de aceleração. Com uma projeção de crescimento de 59% na sua população sênior, o país supera a média mundial (53%) e se aproxima do ritmo de mudança de gigantes como China (69%) e Índia (68%). O bônus demográfico que impulsionou a economia nas últimas décadas está se esgotando mais rápido do que o previsto, pressionando sistemas de previdência, saúde e planejamento urbano.
O desafio universal
Para economias como Colômbia (77% de crescimento) e Indonésia (75%), a velocidade da transformação é o principal ponto de atenção. Diferentemente da Europa, que teve quase um século para construir seus estados de bem-estar social, as nações emergentes dispõem de uma janela muito mais curta para adaptar suas políticas públicas. A necessidade de reformar a previdência, expandir a infraestrutura de cuidados e repensar o mercado de trabalho torna-se inadiável.
A nova geografia do envelhecimento redesenha o mapa de riscos e oportunidades. A chamada "economia da longevidade" deixa de ser um nicho de mercado para países ricos e se consolida como um vetor central para o desenvolvimento global. A questão não é mais se o envelhecimento virá para todos, mas quão preparadas as sociedades estarão para a velocidade com que ele chega.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





