Sam Altman, o CEO da OpenAI, admitiu em uma entrevista recente que se enganou sobre a velocidade da adoção da inteligência artificial generativa pelas empresas. Ele esperava uma transformação muito mais acelerada no software empresarial e nos processos de negócio após o lançamento do GPT-4, mas a realidade se mostrou mais lenta.

A declaração, reportada pelo site espanhol Xataka, revela um choque de realidade para um dos principais arquitetos da atual onda de IA. A tese de Altman é que a “economia tem inércia demais”, um reconhecimento de que a disrupção tecnológica encontra barreiras que não são técnicas, mas organizacionais e culturais. O ritmo da mudança nas corporações é humano, não o ritmo das APIs.

O freio da realidade corporativa

A confissão de Altman ecoa uma lição clássica do mundo da tecnologia, frequentemente resumida pela Lei de Amara: tendemos a superestimar o impacto de uma tecnologia no curto prazo e a subestimá-lo no longo prazo. O sucesso viral do ChatGPT entre consumidores criou a expectativa de uma adoção igualmente veloz no ambiente corporativo. Contudo, a realidade é outra.

Implementar IA em uma grande empresa não é como baixar um aplicativo. Envolve a integração com sistemas legados, revisões de segurança, migração de dados e, crucialmente, o treinamento de equipes e a redefinição de fluxos de trabalho. São processos que podem levar anos, não semanas. A velocidade de melhoria dos modelos de IA se choca com a velocidade de mudança das organizações.

Um alívio disfarçado?

Altman, no entanto, também expressou um certo alívio com essa lentidão. Para ele, a inércia econômica funciona como um amortecedor, permitindo uma transição mais suave e menos caótica. A história oferece paralelos claros. A introdução do computador pessoal nos anos 80 e a bolha das “pontocom” no final dos anos 90 seguiram roteiro semelhante: um entusiasmo inicial desmedido, seguido por uma fase de desilusão e, finalmente, uma transformação profunda e estrutural que levou anos para se consolidar.

A IA parece estar apenas no início desse ciclo, atravessando o vale entre a promessa viral e o impacto real nos negócios. A questão que fica não é se a IA transformará fundamentalmente as empresas, mas a que velocidade e com quais custos de transição. A admissão de Altman serve como um lembrete sóbrio de que, mesmo na era da aceleração exponencial, a mudança ainda se move em um ritmo decididamente humano.

Com reportagem de Brazil Valley

Source · Xataka