Os mercados americanos abriram em tom otimista nesta quinta-feira, com os principais índices em alta, após a divulgação de dados de inflação que sugerem um arrefecimento da pressão sobre os preços. O S&P 500 e o Nasdaq avançaram na abertura, impulsionados pela notícia de que o índice de preços ao produtor (PPI) ficou estável em julho, contrariando a expectativa de uma leve alta.
O dado, somado a um índice de preços ao consumidor (CPI) também contido no dia anterior, oferece ao mercado o que ele mais desejava: um argumento para que o Federal Reserve, o banco central americano, pause seu ciclo agressivo de alta de juros. A leitura, no entanto, pode ser precipitada. A euforia dos investidores contrasta com a sobriedade das autoridades monetárias, que reiteram o compromisso com a meta de 2% de inflação, custe o que custar.
O alívio e a cautela
O número que animou Wall Street foi a estabilidade do PPI em julho, quando o consenso do mercado, segundo a agência Reuters, era de uma alta de 0,2%. Em 12 meses, o índice acumula avanço de 4,7%. O dado complementa o CPI divulgado na véspera, que subiu apenas 0,1% no mês, levando a inflação anual a 3,4%. Para os investidores, é um sinal claro de que a política monetária restritiva está surtindo efeito.
Contudo, a visão dentro do Fed é mais complexa. Em discurso, o presidente da unidade de Richmond do Fed, Tom Barkin, afirmou que o comitê está comprometido com a meta de 2% e que não está claro se novas altas de juros serão necessárias para atingi-la. Barkin alertou para o risco de as expectativas de inflação de empresas e consumidores se desancorarem, um cenário que forçaria uma ação ainda mais dura do BC.
Calibrando as apostas
Com a reação positiva aos dados, o mercado rapidamente reajustou suas projeções. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de o Fed manter os juros na próxima reunião saltou para quase 70%, adiando as apostas de uma nova alta para o final do ano. É a tradução imediata dos dados macroeconômicos em precificação de ativos e expectativas.
Ainda assim, o otimismo não foi unânime. As ações da Cisco, por exemplo, despencaram mais de 8% na abertura, limitando os ganhos do índice Nasdaq. O episódio serve como um lembrete de que, mesmo em um cenário macro favorável, os fundamentos corporativos continuam a ser um fator decisivo e podem criar bolsões de volatilidade.
O cabo de guerra entre a euforia do mercado, que reage a cada dado positivo, e a postura austera do Federal Reserve, focado na meta de longo prazo, deve continuar a ditar o ritmo de Wall Street. A trégua da inflação é bem-vinda, mas a batalha ainda não está vencida, e os próximos passos da política monetária permanecem dependentes de um quebra-cabeça de dados que está longe de ser completado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Money Times





