Mais de um século após seu papel central na trágica expedição do Capitão Robert Falcon Scott à Antártida, o navio Terra Nova volta a ser notícia. Uma expedição liderada pela Royal Canadian Geographical Society (RCGS) e pelo Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI) capturou as primeiras imagens tridimensionais do naufrágio, localizado na costa da Groenlândia desde 1943.
O projeto não é apenas um feito técnico, mas um ato de preservação digital. A criação de um 'gêmeo digital' do Terra Nova, segundo reportagem da Forbes España, visa imortalizar um artefato histórico antes que a corrosão e as correntes marítimas o desintegrem, conectando uma nova geração à chamada 'era heroica' da exploração polar.
A tecnologia por trás do resgate
As imagens foram captadas pelo submersível tripulado Alvin — célebre por ter explorado os destroços do Titanic — e pelo veículo operado remotamente (ROV) Falcon. Equipados com tecnologia de fotogrametria da empresa canadense Voyis, os veículos realizaram um mapeamento de alta resolução que permite reconstruir o navio em um modelo 3D interativo.
Os registros mostram um casco de madeira surpreendentemente intacto, embora a proa já comece a se desprender. O leme, a hélice e parte da casa de máquinas ainda são distinguíveis. Para John Geiger, diretor executivo da RCGS e líder da expedição, a tecnologia permite “recriar o naufrágio antes que este navio histórico se perca definitivamente no fundo do mar”.
Esta mesma 'Heroic Age Expedition' também documentou recentemente o Quest, navio onde morreu o explorador Ernest Shackleton. O movimento sinaliza uma mudança na própria natureza da exploração. Como destacou Bruce Strickrott, piloto veterano do Alvin, se antes o objetivo era mapear continentes, hoje a fronteira é outra: ser os primeiros a ver com os próprios olhos partes do fundo do oceano, resgatando digitalmente os vestígios de quem veio antes.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





