O banco francês Société Générale apresentou um novo plano estratégico mirando 2029, com uma mensagem clara para o mercado: a busca por eficiência será implacável. A instituição pretende elevar sua rentabilidade sobre o patrimônio líquido tangível (RoTE) para uma faixa entre 13% e 14% e, para isso, vai enxugar sua estrutura de custos em cerca de 2% em relação aos níveis de 2026.
A estratégia, detalhada pelo CEO Slawomir Krupa, reflete uma pressão sentida por todo o setor bancário tradicional europeu. Em um ambiente de inflação persistente e juros mais altos, a otimização de despesas tornou-se a principal alavanca para entregar retornos mais atrativos aos acionistas. A fórmula do SocGen combina a aposta em tecnologia com uma inevitável redução no quadro de pessoal.
A equação da eficiência
Os números do plano são ambiciosos. O banco projeta uma economia bruta de € 1,9 bilhão, que servirá para compensar o impacto da inflação e financiar novos investimentos. O resultado líquido esperado é uma redução de custos de € 300 milhões até 2029, fixando a base de despesas abaixo de € 16,3 bilhões. Segundo reportagem da Forbes España, os pilares para atingir essa meta são a otimização de gastos com tecnologia, impulsionada pela adoção de inteligência artificial, e uma "redução prevista da plantilla mediante a saída natural de empregados".
O eufemismo sinaliza uma estratégia de não reposição de vagas e possíveis programas de demissão voluntária, em vez de cortes em massa. Ainda assim, o objetivo final é um quadro de funcionários menor e mais produtivo. A reação positiva do mercado, com as ações subindo 3% após o anúncio, indica que os investidores endossam a disciplina de custos prometida por Krupa. O movimento alinha o SocGen a pares globais que também veem na IA a chave para automatizar processos e reduzir a dependência de mão de obra em funções operacionais.
Para o banco francês, o plano é uma tentativa de acelerar o que seu CEO chama de "crescimento rentável". A meta de longo prazo é ainda mais agressiva, com um RoTE superior a 15% a partir de 2030. O desafio, agora, passa do papel para a prática: executar os cortes e a integração tecnológica sem comprometer a operação e o moral da equipe, provando que a equação entre eficiência e crescimento pode, de fato, fechar.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España



