O Bank of America (BofA) cortou sua projeção de lucro para a Ryanair, mas manteve a recomendação de compra para as ações da companhia aérea. Segundo reportagem da Forbes España, a previsão de resultado para o ano fiscal de 2027 foi reduzida em 10%, para € 1,7 bilhão, enquanto o preço-alvo caiu de € 30 para € 27,5 por ação.
O motivo é um velho conhecido do setor: o aumento do preço do combustível, que deve elevar os custos da empresa em até € 5,9 bilhões. A análise contraintuitiva do BofA, no entanto, sugere que a reação da Ryanair a este cenário é precisamente o que a torna um bom investimento. A aposta é que a disciplina operacional superará a pressão macroeconômica.
A lógica por trás do paradoxo
A tese do Bank of America se apoia na dinâmica de oferta e demanda. A própria Ryanair já anunciou que irá reduzir sua meta anual de passageiros em dois milhões, para 214 milhões, como forma de limitar sua exposição ao combustível não coberto por contratos de hedge durante o inverno europeu. A medida deve gerar uma economia entre € 70 milhões e € 100 milhões em perdas potenciais.
Para os analistas do banco, essa redução de capacidade — que deve ser espelhada por concorrentes — terá um efeito positivo sobre as tarifas. A expectativa é que, após uma leve queda de 2% no segundo trimestre fiscal, os preços subam 2% no terceiro e 5% no quarto trimestre, à medida que a oferta de assentos diminui. Em suma, menos voos podem significar margens melhores.
Vantagem competitiva no querosene
O movimento da Ryanair não é apenas reativo, mas estratégico. A companhia aérea possui cerca de 80% de seu combustível para o ano fiscal de 2027 protegido por hedge a um preço de aproximadamente US$ 67 por barril. Esta estrutura de custos lhe confere uma vantagem significativa sobre rivais menos protegidos, permitindo-lhe navegar a volatilidade com mais segurança.
Embora o lucro projetado fique abaixo do recorde de € 2,26 bilhões do ano anterior, a empresa irlandesa está bem posicionada para entregar outro resultado anual sólido. A demanda subjacente também parece robusta: em agosto, a Ryanair transportou 22,2 milhões de passageiros, um aumento de 2% em relação ao mesmo mês do ano passado, com uma taxa de ocupação de 96%.
O call do BofA é um voto de confiança não no crescimento a qualquer custo, mas na gestão disciplinada. Em um setor cronicamente afetado por fatores externos, a capacidade de ajustar a operação para proteger a rentabilidade se torna o principal ativo. A aposta é na execução, não apenas no mercado.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Forbes España





