Um mapa que detalha a distribuição de terras aráveis pelo globo, baseado em dados do Banco Mundial, oferece uma perspectiva contraintuitiva sobre a geografia do poder agrícola. No topo do ranking não estão os gigantes da exportação de grãos, mas nações como Bangladesh, com 60,6% de seu território agricultável, seguida de perto pela Dinamarca (59,1%) e Ucrânia (56,8%).
A surpresa para o leitor brasileiro é a posição do país: um modesto 120º lugar, com apenas 6,7% de sua vasta área terrestre classificada como arável. O dado, compilado em uma visualização pelo Visual Capitalist, força uma reavaliação do que significa ser uma “potência agrícola” e expõe a diferença crucial entre volume absoluto e proporção territorial.
Não é sobre tamanho
A chave para entender o ranking é a sua metodologia. A métrica não mede a quantidade total de hectares cultivados, mas sim a porcentagem que essa área representa em relação ao território nacional. Isso explica por que países geograficamente compactos e com topografia favorável, como a Dinamarca, ou com alta densidade populacional e dependência histórica da agricultura, como Bangladesh e Índia (51,8%), figuram no topo.
Em contrapartida, países de dimensões continentais como Brasil, Canadá (4,3%) e Rússia (7,4%) aparecem em posições inferiores. Suas imensas extensões territoriais são dominadas por florestas, tundras, desertos e cadeias de montanhas, que, embora vitais ecologicamente e ricas em outros recursos, não são adequadas para o cultivo em larga escala. No caso brasileiro, a Floresta Amazônica, o Pantanal e outras áreas de preservação ou relevo acidentado limitam a fronteira agrícola, concentrando a produção em biomas específicos como o Cerrado.
Geopolítica da fertilidade
O mapa também desenha as linhas da segurança alimentar e da dependência externa. O Sul da Ásia, com suas planícies fluviais férteis, sustenta algumas das maiores populações do planeta. No extremo oposto, o Oriente Médio se destaca pela escassez crônica de terras cultiváveis, uma realidade que molda sua geopolítica. Países como Arábia Saudita (1,6%) e Emirados Árabes Unidos (0,7%) dependem massivamente de importações e de tecnologia para garantir o abastecimento.
A proporção de terra arável, no entanto, não tem correlação direta com a riqueza de uma nação. A lista inclui economias desenvolvidas como a Alemanha (33,4%) e nações de baixa renda como Burundi (51,4%) e Malawi (42,4%). A diferença está no papel que a agricultura desempenha. Em países em desenvolvimento, ela tende a ser a espinha dorsal do emprego, enquanto em economias avançadas, a alta tecnologia e a produtividade garantem relevância econômica com uma fração da força de trabalho.
O ranking, portanto, não é um veredito sobre o sucesso do agronegócio brasileiro, mas um retrato de suas características estruturais. Ele evidencia que a força do Brasil reside na produtividade e na escala de suas áreas cultivadas, não na onipresença de terras férteis. A discussão sobre o futuro do setor passa menos pela expansão sobre novas fronteiras e mais pela intensificação tecnológica das áreas já consolidadas.
Com reportagem de Brazil Valley
Source · Visual Capitalist





